
O estado de São Paulo iniciou o ano com um dado alarmante: janeiro de 2026 foi o mês mais violento para as mulheres desde o início da série histórica de feminicídios registrada pela Secretaria da Segurança Pública (SSP). Ao todo, 27 mulheres foram vítimas desse tipo de crime no período, o equivalente a quase uma morte por dia.
O número supera os registros de anos anteriores e reforça a preocupação com o avanço da violência de gênero. Em 2025, o estado já havia registrado o maior número de feminicídios desde 2018, ano em que o crime passou a ser contabilizado oficialmente nas estatísticas da SSP.
Casos recentes voltaram a chocar a população paulista. Na semana passada, Cibelle Monteiro Alves foi morta a facadas pelo ex-companheiro enquanto trabalhava em uma joalheria dentro de um shopping em São Bernardo do Campo, na região do ABC paulista. O crime ocorreu durante o horário de trabalho e causou grande comoção.
Outro caso aconteceu no domingo (1º), quando um homem foi preso suspeito de matar a ex-mulher por asfixia após uma discussão relacionada à partilha de bens. O crime ocorreu em um motel localizado no bairro de Sapopemba, na Zona Leste da capital paulista.
Os dados mostram uma escalada ao longo dos últimos anos. Em janeiro de 2018 foram registrados cinco feminicídios no estado. O número subiu para 14 em 2019, caiu para 11 em 2020 e para 10 em 2021. A partir de 2022, porém, os casos voltaram a crescer, com 20 registros naquele ano, 18 em 2023, 25 em 2024, 22 em 2025 e agora 27 casos em janeiro de 2026, o maior número da série histórica.
A violência contra a mulher também se reflete em outros indicadores criminais. Segundo dados da Secretaria da Segurança Pública, os registros de ameaça passaram de 8.705 para 9.646 na comparação entre janeiro do ano passado e janeiro deste ano. Já os casos de lesão corporal também apresentaram aumento, passando de 6.014 para 6.527 ocorrências no mesmo período.
Os números reforçam o alerta sobre a necessidade de fortalecer políticas públicas de proteção às mulheres, ampliar redes de acolhimento e incentivar a denúncia de casos de violência doméstica e familiar, para que tragédias como essas possam ser prevenidas.


















