Não é um julgamento, é uma execução; não é uma corte, é um sinédrio

No Brasil de hoje, porém, até o Coelho da Páscoa leciona “direito constitucional” na UFF e garante que a Polícia Federal dentro da sua casa não viola privacidade

Na faculdade, aprendi que a casa é asilo inviolável. Não é mais para Bolsonaro. Você pode até rir, mas em breve também não será mais para você.

Aprendi também que, para haver julgamento, é necessário que exista um crime. Não é o caso do ex-presidente — e também não será mais para você.

O sinédrio parece ter se engajado numa cruzada para subverter a lei e demolir seus princípios mais básicos.

Mais de 250 anos atrás, William Pitt, o Velho, advertia no Parlamento britânico:

“O homem mais pobre pode, em sua cabana, desafiar todas as forças da Coroa.
Ela pode ser frágil, o telhado pode tremer, o vento pode soprar, a tempestade pode entrar, a chuva pode entrar — mas o rei da Inglaterra não pode entrar; todo o seu poder não ousa cruzar o limiar da pobre morada.”

No Brasil de hoje, porém, até o Coelho da Páscoa leciona “direito constitucional” na UFF e garante que a Polícia Federal dentro da sua casa não viola privacidade. Acreditamos no Coelho da Páscoa. Já a Constituição, essa não existe mais nem na fantasia.

A capa da The Economist é irônica, mas revela fatos: confirma o acerto de Trump ao perceber o papel central do Brasil no tabuleiro global e expõe o julgamento de Bolsonaro como peça desse xadrez. Ao enfrentar a ditadura de toga instalada aqui, os Estados Unidos transformaram Bolsonaro em um pivô incontornável e obrigaram o sinédrio a antecipar um resultado.

Mesmo fora da Presidência, Bolsonaro tornou-se mais relevante para a geopolítica do que Lula — e até mais que o próprio sinédrio que governa o país de fato.

É evidente que o julgamento de Bolsonaro não é julgamento: é farsa. Todos sabem disso, até os que ignoram o Direito. O objetivo é claro: impedir que ele se candidate em 2026, reduzir sua influência e minar a eleição de seus apoiadores.

Dos cinco ministros da turma que o julga, três são flagrantemente suspeitos — um deles, Alexandre de Moraes, seu inimigo declarado. Condenado ele sempre esteve. Resta apenas decidir: regime fechado e execução imediata?

O que o Consórcio está fazendo com Bolsonaro, transformado em réu permanente, lembra uma tourada. Resta saber se terão a ousadia de consumar o abate. Caso não o façam, restará ao touro a coragem de derrubar os toureiros — e a própria arena. Ou, quem sabe, mesmo espetado, ainda tente sair dali em busca de conciliação.

O sinédrio entrega ao Brasil e ao mundo uma lição de Direito: tudo aquilo que jamais poderia ser feito. O “crime” de Bolsonaro, afinal, é ser Bolsonaro.
Brasília, 02 de setembro de 2025.

Acilino de Almeida Neto – Advogado

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