
Durante a pandemia, quando templos foram fechados e o distanciamento social se tornou realidade, o culto online surgiu como solução urgente e, para muitos, promissora. Congregações que nunca haviam transmitido celebrações pela internet encontraram na tecnologia uma ponte para manter a fé viva e ativa em tempos de incerteza. A experiência digital levou a palavra a outras cidades, estados e até países, e parecia inaugurar uma nova fase para a igreja contemporânea.
Quatro anos depois, porém, o cenário revela nuances importantes: a transmissão online segue relevante, mas mostra sinais claros de desgaste e limitações. A experiência virtual, que foi a “tábua de salvação” em 2020, hoje enfrenta desafios de engajamento e pertencimento.
Crescimento, e depois acomodação
No início da pandemia, líderes religiosos relatavam números expressivos de visualizações e interações nos cultos transmitidos ao vivo. A sensação era de que a igreja havia alcançado uma “nova normalidade” digital. Mas o entusiasmo perdeu força.
Pesquisas do Barna Group apontam que cerca de 40% dos cristãos afirmam que não frequentariam uma igreja que funcionasse exclusivamente online. Outros 22% admitiram que, durante todo o período de pandemia, não participaram de cultos, nem presenciais, nem virtuais.
Para o especialista Thom S. Rainer, fundador da Church Answers, a alta audiência inicial foi seguida por queda gradual, refletindo fadiga e dispersão dos fiéis diante da rotina frente às telas. Segundo ele, a falta de concentração e o ambiente doméstico repleto de distrações tornam difícil viver o culto em sua plenitude.
Culto não é só conteúdo, é convívio
Mesmo com sermões bem produzidos e louvores de qualidade, líderes e pesquisadores concordam: assistir a um culto não é o mesmo que vivê-lo. A espiritualidade cristã é comunitária por natureza, e elementos como comunhão, oração conjunta, partilha e voluntariado dificilmente se reproduzem fora do templo.
“Transmissões entregam a mensagem, mas o culto sempre foi experiência, encontro e vida em comunidade”, destaca Rainer.
Além disso, a participação no ambiente físico costuma fortalecer laços, incentivar o serviço e motivar o compromisso com a igreja incluindo ações sociais, discipulado e contribuições financeiras.
Online tem valor, mas não substitui
Rainer reconhece que o formato digital é importante para quem está enfermo, viajando ou vive momentos em que o deslocamento se torna impossível. Mas alerta: quando o culto se transforma apenas em uma opção prática e conveniente, corre-se o risco de enfraquecimento do compromisso.
A recomendação é que igrejas invistam em transmissões como ferramenta complementar, e não como centro da prática religiosa. Transmissões podem aproximar, mas presença edifica.
De volta ao essencial
O movimento observado atualmente em diversas comunidades cristãs é claro: manter o alcance online, mas reforçar o chamado ao encontro presencial. Pequenos grupos, ações sociais, discipulado e convivência estão novamente no centro da agenda.
O desafio para cada cristão, segundo especialistas, é refletir sobre qual formato promove maior crescimento espiritual, compromisso e pertencimento e não apenas conforto.


















