
Mesmo meses após o crime que chocou o Brasil, o caso de Gleici Keli Geraldo, conhecida como Gleici Oliboni, continua gerando indignação e levantando questionamentos profundos sobre justiça e responsabilidade.
A vítima foi assassinada dentro da própria casa, em um episódio de extrema violência que marcou não apenas a família, mas também a sociedade. O autor do crime foi o marido, em um ataque brutal que interrompeu a vida de Gleici de forma trágica e deixou consequências irreparáveis.
Laudo de insanidade levanta revolta
Um dos pontos mais controversos do caso é o laudo que aponta insanidade mental do acusado, fator que pode influenciar diretamente nos rumos do processo judicial.
A possibilidade de um crime dessa magnitude ser associado à incapacidade mental reacende um debate delicado: até que ponto esse tipo de diagnóstico reflete, de fato, a realidade?
Família contesta: “Nunca apresentou sinais”
A tese de insanidade não tem sido aceita de forma passiva pela família da vítima.
A filha mais velha de Gleici tem se manifestado, questionando o laudo e destacando que o acusado sempre levou uma vida considerada normal:
- Trabalhava regularmente
- Convivia em sociedade
- Nunca apresentou sinais públicos de distúrbios
O questionamento que surge é inevitável:
como alguém plenamente funcional no dia a dia passa a ser considerado incapaz justamente após cometer um crime tão grave?
Casos como este reacendem um debate sensível e necessário.
Sem desconsiderar a importância da medicina e das perícias técnicas, cresce na sociedade a percepção de que, em alguns episódios, laudos de insanidade podem acabar sendo utilizados como estratégia de defesa.
É um tema que exige cautela, mas também coragem para ser discutido.
Até onde vai a proteção de um direito — e onde começa o risco de impunidade?
Relembre o caso

Gleici Keli Geraldo, conhecida como Gleici Oliboni, tinha 42 anos.
Cabeleireira há mais de 20 anos, terapeuta capilar há 6, empreendedora e sócia de uma empresa recém-criada de produtos naturais para cabelos. Natural de Liberato Salzano, era mãe de duas filhas e a mais velha entre três irmãos.
Gleici era descrita como alegre, autêntica, dedicada, forte, amorosa, leal e determinada.
Ou melhor… era.
No dia 24 de junho de 2025, ela e sua filha mais nova, de apenas 7 anos, que dormia na mesma cama, foram acordadas de forma brutal.
Gleici foi atingida por múltiplos golpes de faca na região da cabeça, pescoço, tórax e abdômen, não resistindo à violência.
Após o crime, o autor — pai da criança — ainda feriu a própria filha, atingindo suas costas e o peito, em uma tentativa que quase tirou também a vida da menina.
A criança foi socorrida em estado gravíssimo e permaneceu por 22 dias internada em uma UTI pediátrica.
Uma das lesões quase atingiu a medula, e a inflamação resultou em uma condição neurológica conhecida como síndrome de Brown-Séquard, comprometendo movimentos e sensibilidade.
Desde então, a menina enfrenta uma rotina intensa de recuperação:
- Reaprendendo a andar e se movimentar
- Lidando com dores físicas e emocionais
- Necessitando de acompanhamento médico, fisioterapia e suporte psicológico
Hoje, já em casa, segue sob os cuidados da irmã mais velha, em um processo contínuo de reabilitação.
Um caso que não pode ser esquecido
O caso de Gleici não é apenas mais um processo em andamento.
Ele representa:
- Uma vida interrompida de forma brutal
- Uma família que segue buscando justiça
- Uma sociedade que cobra respostas
Quando a dor de uma família se encontra com um laudo contestado, o que está em jogo não é apenas o destino de um acusado — é a confiança no sistema de justiça.
E essa confiança depende de transparência, responsabilidade e, acima de tudo, compromisso com a verdade.
Jornalista: Cida Frausino


















