
O ex-governador José Roberto Arruda, até hoje inelegível, voltou às redes sociais afirmando que “Brasília está no escuro” após a privatização da Companhia Energética de Brasília Distribuição.
A expressão chama atenção, mas simplifica um debate complexo e ignora capítulos importantes da própria história política do Distrito Federal.
Mas quando se fala em escuridão na história recente do Distrito Federal, é impossível ignorar outro período que mergulhou a capital em uma crise institucional sem precedentes.
Durante sua gestão (2007-2010), Arruda foi alvo da Operação Caixa de Pandora, investigação conduzida pelo Ministério Público e pela Polícia Federal que resultou em sua prisão preventiva, afastamento do cargo e posterior cassação pela Câmara Legislativa do DF. O episódio ficou nacionalmente conhecido como o “Mensalão do DEM” e provocou instabilidade política em um momento delicado para Brasília.
Naquele período, o Distrito Federal viveu dias de incerteza administrativa, paralisia institucional e descrédito público.
Se há um momento em que Brasília esteve no escuro, foi quando sua liderança máxima foi retirada do cargo por decisão judicial.
E a privatização da energia?
A privatização da distribuição da CEB ocorreu em 2020, no governo de Ibaneis Rocha, após anos de dificuldades financeiras da estatal. À época, relatórios técnicos apontavam risco de perda da concessão federal e incapacidade de investimento por parte do governo local.
A venda foi apresentada como medida para garantir modernização da rede, aporte de investimentos privados e manutenção do serviço sob regulação da ANEEL. Desde então, a concessionária opera sob metas técnicas nacionais e fiscalização permanente.
Falhas pontuais podem e devem ser cobradas, isso faz parte da democracia. Mas transformar um debate técnico em narrativa alarmista exige cautela.
O debate precisa de luz, não de slogans
Dizer que “Brasília está no escuro” pode gerar engajamento.
Mas a história mostra que momentos de verdadeira escuridão para o DF não foram causados apenas por quedas de energia e sim por crises políticas que abalaram a confiança da população.
O cidadão merece debate responsável, dados concretos e memória institucional.
Porque quando se fala em luz, é preciso iluminar toda a história, não apenas parte dela.
Jornalista: Aparecida Frausino


















