Empresa é acionada na Justiça por impedir funcionário de frequentar igreja

Uma empresa de transporte rodoviário da Califórnia foi processada pela Comissão de Igualdade de Oportunidades de Emprego dos Estados Unidos (EEOC) após escalar um motorista cristão para trabalhar aos domingos, o que teria levado o funcionário a pedir demissão. A ação aponta possível violação do Título VII da Lei dos Direitos Civis.

A EEOC informou, em processo judicial apresentado em 3 de abril, que a Blue Eagle Contracting, Inc., responsável por entregas de correspondências em Grass Valley, não ofereceu uma alternativa de turno ao funcionário. Segundo o órgão, a empresa deixou de realocá-lo para dias úteis, o que permitiria a participação nos cultos de domingo pela manhã, prática considerada parte de sua fé.

De acordo com o processo, o motorista foi contratado em setembro de 2022 e comunicou desde o início aos supervisores que precisava frequentar a igreja aos domingos. A empresa o designou, inicialmente, para uma rota de entregas durante a semana entre Reno e Tonopah, no estado de Nevada.

Após alguns meses, um colega pediu demissão de forma inesperada, e o motorista cristão se ofereceu para assumir temporariamente o turno de domingo pela manhã até a contratação de um substituto. A ação relata que, mesmo após a contratação de um novo funcionário, ele foi mantido no turno de fim de semana, apesar de apresentar reclamações, enquanto o novo contratado passou a trabalhar durante a semana.

Christopher Green, diretor distrital da EEOC em São Francisco, afirmou em comunicado: “Os empregadores são obrigados por lei federal a explorar uma série de possíveis adaptações para garantir que os funcionários mantenham seu direito de exercer livremente sua fé.”

A EEOC informou que a situação levou o motorista a deixar o emprego, após a recusa dos supervisores em ajustar sua escala conforme suas convicções cristãs. O órgão declarou que a conduta da empresa viola o Título VII da Lei dos Direitos Civis de 1964, que proíbe a discriminação religiosa no ambiente de trabalho, exceto em casos de dificuldade excessiva para o empregador.

Mariko Ashley, advogada sênior da EEOC, declarou: “Os empregadores são obrigados a cumprir a lei federal para evitar a discriminação com base na religião. Forçar os funcionários a escolher entre exercer suas crenças religiosas e seu sustento, a menos que isso represente um ônus indevido para o empregador, viola a lei, e a EEOC responsabilizará os empregadores”.

No mês anterior, o Departamento do Trabalho dos Estados Unidos lançou um novo site por meio de seu Centro de Fé, com recursos voltados a cristãos e outros trabalhadores que relatem casos de discriminação religiosa. De acordo com o The Christian Post, a iniciativa atende a uma ordem executiva do presidente Donald Trump, que instituiu o Escritório de Fé da Casa Branca e centros semelhantes em agências federais.

O Departamento do Trabalho informou que o Centro de Fé também busca ampliar a participação de organizações religiosas em programas de financiamento público e reduzir encargos regulatórios. O órgão destacou que o trabalho inclui o fortalecimento da liberdade religiosa, a promoção da dignidade do trabalho e o combate a preconceitos anticristãos, antissemitas e a outras formas de discriminação religiosa.

A secretária do Trabalho dos Estados Unidos, Lori Chavez-DeRemer, afirmou em comunicado: “Os americanos não devem sofrer discriminação no local de trabalho por causa de sua religião. Nosso novo site do Centro para a Fé oferece orientações úteis para trabalhadores americanos e organizações religiosas interessadas em concorrer a subsídios do Departamento do Trabalho. Graças ao presidente Trump, o direito dos americanos à liberdade religiosa está mais protegido do que nunca”.

Fonte: Good Prime

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