
A cidade de São Paulo vive um avanço silencioso, porém significativo, na ausência do nome do pai nas certidões de nascimento. Dados do Portal da Transparência do Registro Civil revelam que, em apenas nove anos, a proporção de registros sem identificação paterna dobrou na capital paulista.
Em 2016, primeiro ano da série histórica disponível, São Paulo contabilizou 187.528 nascimentos. Desse total, 6.140 certidões não traziam o nome do pai — o equivalente a 3%. Já em 2025, último ano com dados consolidados, o número total de registros caiu para 140.111, mas os casos sem identificação paterna subiram para 8.189, representando 6% do total.
O cenário chama atenção não apenas pelo crescimento percentual, mas pelo impacto social que ele representa. A ausência do nome do pai na certidão é mais do que um dado estatístico: reflete desafios ligados à responsabilidade parental, à estrutura familiar e à garantia de direitos básicos às crianças.
O levantamento também mostra a evolução dos reconhecimentos de paternidade realizados na capital ao longo do mesmo período. O maior pico ocorreu em outubro de 2019, dois meses após a publicação da Resolução nº 165/2019, do Conselho Nacional de Justiça, que simplificou o procedimento de reconhecimento voluntário.
Naquele mês, foram registradas 2.361 atualizações de certidões em São Paulo — um salto expressivo em comparação a abril de 2018, quando haviam sido contabilizados 1.433 reconhecimentos, até então o segundo maior volume da série histórica.
No entanto, os números mais recentes indicam um forte recuo. Em dezembro de 2025, último mês com dados disponíveis, apenas 198 reconhecimentos de paternidade foram registrados na capital paulista, evidenciando uma queda acentuada mesmo com mecanismos legais já consolidados.
Os dados reforçam um alerta para políticas públicas e campanhas de conscientização voltadas à paternidade responsável. Especialistas apontam que o reconhecimento do vínculo paterno vai além do aspecto simbólico, garantindo direitos civis, previdenciários e emocionais às crianças, além de fortalecer a corresponsabilidade familiar na formação social.


















