Paula Barroso: assassinada por ciúmes e sentimento de posse

O nome dela era Benedita de Jesus Barroso da Costa, conhecida como Paula Barroso.
Era enfermeira.
Foi miss.
Era mãe.

Foi assassinada com um disparo de arma de fogo na cabeça pelo companheiro, em um estabelecimento comercial na zona rural de Macapá.

O Ministério Público denunciou o acusado por feminicídio, sustentando que o crime foi motivado por ciúmes, sentimento de posse e disputa patrimonial. A denúncia também aponta histórico de agressões, ameaças e um ciclo contínuo de violência doméstica.

Nada disso começou naquele domingo.

A violência já existia.
As ameaças já existiam.
Os sinais já estavam lá.

Segundo a peça acusatória, havia registros de agressões físicas, violência patrimonial e áudios que comprovavam ameaças anteriores. Benedita vivia um ciclo de violência que, como em tantos outros casos, foi se intensificando até o desfecho fatal.

Ciúmes não matam.
Posse mata.

E é preciso dizer isso com todas as letras: feminicídio não é “crime passional”. É crime de controle. É crime de dominação. É crime de quem acredita ter direito sobre a vida da mulher.

Paula deixou dois filhos órfãos.

Dois filhos que agora crescem com a ausência da mãe e com a marca de uma violência que poderia ter sido interrompida antes.

O Ministério Público deixou claro que o caso será levado ao Tribunal do Júri, com pedido de condenação por feminicídio e porte ilegal de arma de fogo, além da reparação dos danos morais à família. Também ofereceu apoio institucional aos familiares, inclusive por meio do Centro de Atendimento às Vítimas.

A denúncia é importante.
O acolhimento é necessário.
Mas nada devolve uma mãe aos filhos.

O Brasil segue registrando números alarmantes de feminicídio. E a maioria desses crimes acontece dentro de relações íntimas, no ambiente onde deveria existir proteção.

O padrão se repete:
Histórico de violência.
Ameaças anteriores.
Ciúmes travestido de “amor”.
Sentimento de posse.

E, no fim, a morte.

Benedita não foi vítima de um surto isolado.
Foi vítima de um sistema que ainda relativiza agressões dentro de casa.

Ela tinha nome.
Tinha profissão.
Tinha filhos.
Tinha futuro.

Não é apenas mais um processo judicial.
É mais uma mulher morta por alguém que não aceitava perder o controle.

Paula não morreu.
Foi morta.

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