
Uma denúncia encaminhada ao Ministério Público Federal (MPF) e ao Tribunal Regional Eleitoral do DF (TRE-DF) colocou o pré-candidato ao governo do DF, Ricardo Cappelli (PSB), sob suspeita de usar estrutura e servidores da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), que ele preside, para impulsionar sua pré-campanha.
Segundo revelou o Diário do Poder, ex-integrantes relataram que uma equipe comandada pelo gerente de marketing Bruno Trezena operava, durante o expediente, uma espécie de “bunker digital” no Edifício Ariston, no Setor Comercial Sul, voltado à promoção pessoal de Cappelli.
Mensagens internas mostram metas diárias como responder 70 comentários, enviar 60 mensagens e fazer 30 ligações por WhatsApp, sempre com português impecável, orientação atribuída à assistente Ana Cardoso:
“O Cappelli é jornalista, não podemos ter erros de português.”
As denúncias também mencionam a compra de celulares e notebooks usados exclusivamente para simular engajamento, distribuir vídeos e manter perfis digitais como se fossem manifestações espontâneas da população.
Se confirmadas, as acusações podem configurar abuso de poder econômico e uso indevido de bens públicos, violando a Lei das Eleições (9.504/97).
Além disso, os relatos podem enquadrar Cappelli em outras frentes legais:
- Prevaricação: na condição de dirigente de empresa pública, ele pode responder criminalmente se retardou ou omitiu atos de ofício para obter vantagem pessoal.
- Atividade político-partidária em horário de trabalho: proibida pela Lei nº 8.112/90, art. 117, inciso IX — conduta sujeita a penalidades disciplinares severas.
- Improbidade administrativa: receber salário sem exercer as funções do cargo caracteriza violação da Lei nº 8.429/92, podendo resultar na perda da função pública e devolução dos valores.
Procurados pela reportagem, Cappelli e Trezena não responderam. Ex-integrantes também relataram clima de pressão, atrasos de pagamento e a sensação de que contrariar o chefe poderia custar o emprego.
A frase que teria circulado entre a equipe era direta:
“O Cappelli é vingativo.”
Diante do que já veio à tona, fica a pergunta que incomoda Brasília:
se isso seria apenas a prévia da campanha, o que viria quando ela oficialmente começar?


















