
Enquanto o noticiário nacional segue atento aos desdobramentos de investigações que envolvem nomes próximos ao poder, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, se prepara para retornar a Madri após passar cerca de três semanas no Brasil durante as festas de fim de ano.
A viagem chama atenção não por si só, mas pelo contexto em que ocorre. Nos últimos dias, vieram à tona informações de que a Polícia Federal conduz apurações relacionadas a um esquema de desvio de recursos de aposentados e pensionistas do INSS, investigação que, segundo declarações oficiais, envolve pessoas citadas em depoimentos e documentos analisados pelas autoridades.
Sem qualquer anúncio formal de denúncia, o nome de Lulinha aparece no noticiário associado a relatos de terceiros, justamente no momento em que ele retoma sua rotina fora do país. Coincidência ou apenas mais um capítulo de um enredo já conhecido da política brasileira, o fato é que a ausência de encontros públicos com o pai durante sua estadia no Brasil também não passou despercebida.
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, confirmou que existem investigações em andamento, reforçando que cabe às autoridades apurar os fatos e esclarecer qualquer suspeita, sem prejulgamentos.
Lulinha vive na capital espanhola desde meados de 2025 e, até o momento, não há confirmação de acusações formais contra ele. Ainda assim, o episódio reacende o debate público sobre transparência, responsabilidade e a velha máxima de que, no Brasil, nomes ligados ao poder raramente passam longe das manchetes — mesmo quando dizem que nada está oficialmente comprovado.
No fim das contas, enquanto o discurso oficial insiste em separar o presidente da República dos episódios que rondam seu círculo mais próximo, a realidade política mostra que sobrenomes pesam — e muito. Quando investigações avançam, manchetes se multiplicam e um filho do presidente faz as malas rumo à Europa, o silêncio passa a falar alto. Lula segue governando, Lulinha segue vivendo fora do país, e o Brasil segue assistindo, mais uma vez, à velha cena em que o poder tenta se blindar, mas não consegue escapar das próprias sombras.


















