Fé não é fantasia: Desfile sobre Lula vira palco de ataque a evangélicos

Foto: Reprodução Globoplay

A Acadêmicos de Niterói levou para a Marquês de Sapucaí uma ala que retratou evangélicos e conservadores de forma caricata, inserindo-os dentro de uma sátira política em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Batizada de “Neoconservadores em conserva”, a ala apresentou fantasias em formato de lata, usando como símbolo a chamada “família tradicional” — homem, mulher e filhos — associando esse perfil a pautas como defesa de valores cristãos, agronegócio, porte de armas e posicionamentos contrários ao atual governo.

Além disso, os figurinos incluíam referências a evangélicos dentro de um contexto satírico, tratando milhões de fiéis como um bloco ideológico uniforme. Para muitos cristãos, não se tratou apenas de crítica política, mas de uma tentativa de ridicularização pública da fé.

Quando a fé vira alvo

Não é a primeira vez que manifestações culturais associadas à esquerda fazem críticas duras a pautas conservadoras. O problema, segundo lideranças religiosas ouvidas nas redes sociais, é quando a crítica deixa de ser ideológica e passa a atingir diretamente símbolos, valores e a identidade de um grupo religioso.

O Brasil tem mais de 30% da população declaradamente evangélica. São homens e mulheres que trabalham, pagam impostos, ajudam comunidades, realizam ações sociais e contribuem ativamente para o país. Reduzi-los a uma caricatura política ignora a pluralidade existente dentro das igrejas.

Ala “Patriotas da América” e a polarização

Outra ala polêmica foi a “Patriotas da América”, que ironizou relações políticas ligadas ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro e ao ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump. Entre os elementos estavam bonés com a frase “Make America Great Again” e referências à bandeira americana.

O enredo defendia a soberania nacional durante o terceiro mandato de Lula e exaltava o presidente como defensor dos interesses brasileiros. No entanto, críticos afirmam que, enquanto a narrativa enaltece um lado político, trata o outro com deboche, incluindo cristãos e conservadores.

Michelle Bolsonaro reage

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também se manifestou após o desfile. Um dos carros alegóricos trouxe um palhaço atrás das grades, com roupa de presidiário e tornozeleira eletrônica danificada.

Em suas redes sociais, Michelle escreveu:

“Só pra registrar um fato histórico: quem foi preso por corrupção foi Luiz Inácio Lula da Silva. Isso é registro judicial, não opinião.”

A declaração ampliou o debate e reforçou a percepção, entre apoiadores, de que o Carnaval foi usado como palco político.

Liberdade artística ou desrespeito direcionado?

O Carnaval é, historicamente, espaço de crítica social e política. Mas cresce a percepção entre parte da população de que ataques simbólicos a evangélicos e conservadores se tornaram recorrentes — sempre sob o argumento da “liberdade artística”.

A pergunta que fica é: se a ala tivesse satirizado outra religião, haveria o mesmo silêncio?

A crítica política é legítima. O que muitos contestam é a normalização da ridicularização da fé cristã quando ela não se alinha ao discurso dominante.

O desfile da Acadêmicos de Niterói terminou na avenida, mas o que foi apresentado não pode ser tratado como algo irrelevante. Quando evangélicos são retratados como caricatura ideológica diante de milhões de espectadores, o debate deixa de ser apenas artístico e passa a ser sobre respeito.

Criticar posições políticas é legítimo. Ridicularizar a fé de milhões de brasileiros, não. Se o discurso é de pluralidade e inclusão, ele precisa valer para todos, inclusive para os cristãos.

Fé não é fantasia. E os evangélicos merecem ser tratados com a mesma dignidade que qualquer outro grupo da sociedade.

Com informações da Redação do Site

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