Alerta máximo no DF: TCU vê indícios de que a ABDI virou vitrine política de Cappelli

Isaac Amorim/MJSP/Divulgação

A pré-campanha de Ricardo Cappelli, atual presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e nome do PSB para disputar o Governo do Distrito Federal, acaba de ganhar um ingrediente explosivo. A área técnica do Tribunal de Contas da União (TCU) se manifestou a favor de apurar indícios de desvio de finalidade, uso indevido de recursos públicos e possível promoção pessoal bancada com dinheiro da própria agência que ele comanda.

A representação, feita pelo deputado distrital Daniel de Castro (PP), aponta que após a chegada de Cappelli ao comando da ABDI houve uma escalada no uso da estrutura de comunicação da agência para impulsionar sua imagem política. E, segundo o TCU, há elementos suficientes para que a denúncia seja formalmente investigada.

O relatório da 4ª Diretoria, apresentado na quinta-feira (11/12), levanta questões inquietantes:

  • Um aditivo de 25% no contrato de publicidade, elevando o valor total para R$ 8,1 milhões, sem justificativa técnica nos autos.
  • Criação de sites e perfis pessoais de Cappelli logo após o aditivo.
  • 798 impulsionamentos entre agosto de 2024 e outubro de 2025, custando entre R$ 156 mil e R$ 220 mil, destinados majoritariamente a promover conteúdo pessoal e político do dirigente.
  • Uso de servidores públicos e terceirizados da ABDI para operar e gerenciar anúncios pessoais.

A unidade técnica não deixa margem para dúvidas: o material impulsionado tem “conteúdo predominantemente político, opinativo e voltado à imagem pessoal do dirigente, sem qualquer relação com a comunicação institucional da ABDI”.

Ou seja: a agência pública estaria virando, na prática, um departamento de marketing eleitoral.

TCU alerta para possível improbidade e malversação

O parecer técnico é duro. Caso as suspeitas se confirmem, os fatos podem configurar:

  • Violação aos princípios da administração pública;
  • Possível malversação de recursos conforme prevê a Constituição;
  • E até atos de improbidade administrativa.

A recomendação da área técnica é clara: a ABDI deve se explicar em até 15 dias.

Cappelli, que tenta se viabilizar politicamente para disputar o Palácio do Buriti em 2026, agora enfrenta um desgaste que pode se ampliar rapidamente, porque a natureza das acusações atinge o coração da ética pública: usar a máquina estatal para benefício próprio.

Em resposta, o presidente da ABDI afirmou que a agência apenas “ampliou suas atividades finalísticas” e que sua comunicação pessoal “não tem qualquer vínculo com a comunicação da ABDI”.

Mas a argumentação cai por terra diante de pontos levantados pela área técnica:

  • Mesmo que os pagamentos tenham sido feitos pelas plataformas, servidores públicos e terceirizados da ABDI organizaram e gerenciaram impulsionamentos pessoais;
  • Os conteúdos analisados pelo TCU são predominantemente políticos e direcionados à imagem pessoal do pré-candidato;
  • E não há justificativa documentada para o aumento milionário no contrato de comunicação.

Ou seja: a defesa de Cappelli não rebate o essencial, o fato de que recursos humanos e estrutura pública teriam sido usados para fortalecer sua presença política, o que pode caracterizar exato desvio de finalidade.

Cappelli tenta, há meses, se projetar como alternativa eleitoral no Distrito Federal. Agora, porém, precisa responder por um conjunto de indícios que, se confirmados, atingem diretamente sua credibilidade e colocam em xeque a narrativa de gestor técnico e eficiente que tenta sustentar.

Enquanto o processo segue para o gabinete do ministro Bruno Dantas, a pergunta que ecoa entre analistas é simples:

Como confiar em um candidato que, segundo o TCU, pode ter transformado uma estrutura pública em ferramenta pessoal de promoção política?

A investigação está só começando, mas o estrago político já começou.

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