
O episódio envolvendo o deputado distrital Fábio Félix durante o bloco Rebu, no Setor Comercial Sul, ganhou novos contornos políticos dentro da Câmara Legislativa do Distrito Federal. Parlamentares reagiram com firmeza à nota divulgada pelo vice-presidente da Casa, Ricardo Vale, em defesa do colega, assinada “em nome de todos” os deputados.
A manifestação foi considerada indevida por parte da bancada, que rejeitou o uso coletivo de seus nomes para respaldar uma atitude individual. O deputado Roosevelt Vilela foi direto: “Ricardo Vale não pode falar por mim. A posição dele não é a minha posição.”
Segundo informações divulgadas pelo portal Radar DF, a nota não poderia ter sido emitida em nome da Casa, já que o presidente Wellington Luiz estava em Brasília, o que acirrou ainda mais o debate interno.
O que aconteceu
Durante a operação da Polícia Militar do Distrito Federal no bloco carnavalesco, um cão do BPCães indicou a presença de entorpecentes em uma tenda. Dois homens foram abordados e receberam voz de prisão por suspeita de tráfico.
De acordo com relatos, uma organizadora do evento tentou impedir a condução dos suspeitos, incitando foliões contra os policiais. Diante da aglomeração e da tensão crescente, um militar utilizou spray de pimenta, instrumento não letal previsto para contenção e controle de tumultos.
Foi nesse contexto que Fábio Félix interveio, questionando a prisão e tentando impedir a ação policial. O parlamentar também teria dado voz de prisão a um militar em serviço.
Quando o limite da autoridade é ultrapassado
O que está em jogo não é apenas a defesa de um parlamentar, mas o respeito às instituições. Quando Ricardo Vale assume a prerrogativa de falar “em nome de todos” para proteger Fábio Félix, ultrapassa-se o limite da representação e entra-se no terreno perigoso da institucionalização do corporativismo.
A Polícia Militar agiu dentro da legalidade. O mandato parlamentar, por sua vez, não autoriza interferência em prisão por suspeita de tráfico nem concede imunidade para constranger agentes em serviço.
A Câmara Legislativa não pode ser usada como escudo político. A população que elege seus representantes espera postura, equilíbrio e responsabilidade, não blindagem, não “carteirada” e muito menos narrativas que enfraqueçam quem estava apenas cumprindo o dever.
Porque, no Estado Democrático de Direito, autoridade não está acima da lei, está submetida a ela.


















