
O Banco de Brasília (BRB) voltou ao centro de uma ofensiva que ultrapassa o campo técnico e ganha contornos claramente políticos.
Após enfrentar os efeitos de operações herdadas do extinto Banco Master, o banco apresentou ao Banco Central um plano estruturado de recuperação, com venda de ativos, captação de recursos e proposta de pagamento ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A situação está sendo tratada dentro dos canais regulatórios competentes.
Mas, paralelamente a esse processo técnico, surge uma movimentação que levanta questionamentos.
O corregedor nacional de Justiça, Mauro Campbell Marques, determinou que tribunais que operam folhas de pagamento e depósitos judiciais no BRB prestem esclarecimentos ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A decisão, embora formal, provoca um debate inevitável: desde quando o CNJ atua como regulador do sistema financeiro?
A fiscalização de instituições bancárias cabe ao Banco Central. Quando um órgão do Judiciário passa a pressionar contratos que garantem liquidez a um banco público, o impacto deixa de ser apenas administrativo e passa a ser estrutural.
Os depósitos judiciais e as folhas de pagamento de estados como Maranhão, Bahia, Paraíba, Alagoas e do próprio Distrito Federal são pilares de estabilidade da instituição. Qualquer movimento que gere insegurança sobre esses contratos pode afetar diretamente a solidez do banco.
Coincidência ou estratégia?
Parlamentares do PT e setores da oposição no DF já passaram a defender publicamente a federalização do BRB. Em alguns discursos, fala-se até em liquidação da instituição. Não é apenas um debate técnico — é um posicionamento político claro.
Federalizar o banco significa retirar do Distrito Federal o controle de um dos seus principais ativos estratégicos. Significa enfraquecer a autonomia financeira local e atingir diretamente uma estrutura que, nos últimos anos, se consolidou como instrumento de desenvolvimento regional.
Como afirmou o jornalista Toni Duarte, editor-chefe do portal Radar DF, “o BRB não pode ser sacrificado no altar de ambições políticas”. A declaração traduz o sentimento de muitos que enxergam na atual movimentação mais do que fiscalização: veem disputa de poder.
Não é segredo que o PT nunca assimilou o fortalecimento do BRB como banco público robusto do Distrito Federal. Agora, em meio a um momento sensível, surge uma articulação que alimenta a narrativa de federalização — justamente quando o banco apresenta plano de reorganização junto ao Banco Central.
A pergunta que fica é objetiva:
Por que tensionar contratos que garantem estabilidade ao banco neste momento?
Por que defender federalização em vez de apoiar a recuperação institucional?
Quem se beneficia com o desgaste de um banco que pertence ao povo do DF?
O BRB não é patrimônio de partido. É patrimônio do Distrito Federal.
E qualquer movimentação que ameace sua estabilidade precisa ser analisada não apenas sob o prisma burocrático, mas sob o contexto político que a envolve.
O que está em jogo não é apenas uma instituição financeira.
É a autonomia do Distrito Federal.
Com informações da Redação do Site e Portal Radar DF


















