
Na próxima terça-feira (24/02), os 24 deputados da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) irão decidir muito mais do que um projeto financeiro. Estará em votação a autorização para o aporte de capital no Banco de Brasília (BRB) medida considerada estratégica para reforçar os indicadores da instituição e garantir sua estabilidade diante de exigências regulatórias.
A proposta foi encaminhada pelo Governo do Distrito Federal em regime de urgência, com o objetivo de fortalecer a posição do banco junto ao Banco Central. O tema, no entanto, deixou de ser apenas técnico. Tornou-se político.
O deputado distrital Chico Vigilante anunciou voto contrário ao projeto. A posição reacendeu um debate sensível: até onde vai a oposição legítima e onde começa o risco institucional?
Especialistas do setor financeiro alertam que decisões dessa natureza não atingem apenas o governo de plantão. O BRB é um ativo público estratégico do Distrito Federal. Administra folhas de pagamento, depósitos judiciais, crédito para pequenos empresários e, principalmente, operacionaliza programas sociais que chegam à ponta, à população mais vulnerável.
Entre eles estão o DF Social, o Cartão Prato Cheio e o Cartão Gás, políticas que dependem diretamente da estrutura financeira do banco para funcionar com eficiência e segurança.
Hoje, mais de 4.500 trabalhadores estão diretamente vinculados à instituição. Qualquer movimento que amplie a percepção de risco no mercado pode impactar liquidez, confiança e, consequentemente, empregos.
Historicamente, momentos de tensão envolvendo o BRB foram tratados com responsabilidade institucional, inclusive por parlamentares de oposição em governos anteriores. O entendimento sempre foi claro: o banco pertence ao Distrito Federal, não a um partido.
O debate sobre a melhor solução para o equacionamento da dívida é legítimo. Fiscalizar é papel da oposição. Questionar também. O que preocupa analistas é quando o discurso ultrapassa o campo técnico e passa a alimentar narrativas que fragilizam a imagem de uma instituição estratégica.
É preciso separar os fatos. A participação do BRB no caso Master está sob análise das autoridades competentes e não se confunde com a necessidade de fortalecimento institucional do banco. Misturar os temas pode gerar insegurança desnecessária.
Partidos como PT, PSOL e PSB têm manifestado resistência à proposta, intensificando críticas públicas. Para integrantes da base governista, trata-se de uma postura de confronto que pode produzir efeitos colaterais sobre a economia local.
A pergunta que fica é direta: enfraquecer o BRB resolve o problema ou cria outro ainda maior?
A votação desta terça-feira será um divisor de águas. Em jogo não está apenas um aporte financeiro, mas a preservação de um patrimônio estratégico do Distrito Federal, a continuidade de políticas públicas e a segurança de milhares de famílias que dependem direta ou indiretamente da solidez do banco.
O Distrito Federal acompanhará atento. Porque, quando o assunto é o BRB, a responsabilidade precisa falar mais alto do que a disputa política.


















