Caso Renata Cardim: laudo aponta asfixia, mas julgamento segue travado há quase 10 anos

Quase uma década após a morte da advogada Renata Cardim, o caso continua sem julgamento e cercado por questionamentos que, para a família, nunca foram devidamente respondidos.

Renata tinha 26 anos e estava casada há apenas sete meses quando morreu, na madrugada de 27 de maio de 2015, dentro do apartamento onde vivia com o marido, o advogado Hélio Gueiros Neto, em Belém (PA).

Desde o início, a versão apresentada levantou dúvidas.

O primeiro laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou morte natural, por rompimento de aneurisma da aorta abdominal. No entanto, essa conclusão passou a ser contestada quase imediatamente pela família, que apontava inconsistências e incompatibilidades com o quadro clínico da jovem.


Exumação desmonta tese de morte natural, segundo a família

A insistência dos familiares levou à exumação do corpo, um ponto-chave que mudou completamente o rumo do caso.

O novo exame, realizado por peritos independentes do Rio de Janeiro, com acompanhamento de profissionais do próprio IML, concluiu que não havia qualquer evidência de aneurisma.

Em sentido oposto ao laudo inicial, o resultado apontou que Renata morreu por asfixia mecânica, caracterizada como sufocação direta.

Para a família, esse dado é central: não se trata apenas de divergência técnica, mas de uma conclusão que, na visão deles, desmonta a narrativa de morte natural e reforça a hipótese de homicídio.


Acusação aponta possível premeditação

Com base nesse conjunto de elementos, o Ministério Público do Pará denunciou Hélio Gueiros Neto por homicídio triplamente qualificado.

De acordo com a acusação, há indícios de que Renata teria sido sedada antes da morte, o que, em tese, indicaria uma ação planejada.

Esse ponto, ainda a ser analisado pelo júri, é considerado pela família como um dos aspectos mais graves do caso.


Contradições e pontos levantados ao longo do processo

Ao longo dos anos, os familiares passaram a reunir uma série de questionamentos que, segundo eles, reforçam a necessidade de julgamento:

  • A existência de laudos com conclusões completamente opostas
  • A ausência de confirmação do aneurisma após a exumação
  • A conclusão técnica de asfixia mecânica
  • Relatos de um relacionamento conturbado, mencionados pela família
  • A própria reabertura do caso após a primeira versão ter sido colocada em dúvida

Para a família, esses elementos não podem ser ignorados e precisam ser analisados por um tribunal do júri.


Justiça já decidiu: caso deve ir a júri popular

Apesar das controvérsias, a Justiça já tomou uma decisão importante: o caso deve ser julgado por júri popular.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve a decisão de pronúncia, entendendo que há indícios suficientes para que o caso seja analisado pelos jurados.

Mesmo assim, o julgamento ainda não aconteceu.


Demora gera críticas e levanta suspeitas

A falta de desfecho após quase dez anos é um dos pontos mais sensíveis do caso.

Familiares de Renata têm questionado publicamente o motivo da demora e levantado suspeitas sobre possíveis fatores que estariam contribuindo para a lentidão do processo.

Entre eles, o fato de o acusado ser Hélio Gueiros Neto, neto do ex-governador do Pará, Hélio Gueiros, integrante de uma família tradicional no estado.

Não há decisão judicial que comprove qualquer interferência. No entanto, a percepção de demora prolongada segue sendo alvo de críticas e desconfiança por parte da família.


Defesa fala em “absurdo” e nega crime

Recentemente, Hélio voltou a se manifestar publicamente.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, Hélio Gueiros Neto afirmou ser inocente, classificou o processo como “absurdo” e sustentou que Renata morreu de forma natural, por aneurisma.

Ele também afirmou ter passado anos “amordaçado” por segredo de justiça.


Família reage e reforça versão de homicídio

A resposta da família veio rapidamente.

Em vídeo, os familiares detalharam a sequência de laudos e reforçaram que, segundo os exames posteriores, não houve aneurisma, mas sim morte por asfixia.

Para eles, a versão de morte natural não se sustenta diante das provas reunidas ao longo do processo.


Um caso sem resposta e com cobranças cada vez mais fortes

Dez anos depois, o que deveria ser uma resposta da Justiça ainda é uma ferida aberta. Entre laudos que se contradizem, uma denúncia grave já aceita pelos tribunais e um julgamento que nunca acontece, cresce a sensação de que o tempo tem pesado mais do que a verdade. Para a família, não se trata apenas de memória, mas de justiça — e de um caso que, diante de tantos elementos, não pode continuar esperando indefinidamente por uma resposta.

Jornalista: Cida Frausino

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