Silas Malafaia denuncia perseguição e pede passaporte de volta a Moraes

Durante o Culto da Vitória, na Advec, Malafaia negou envolvimento com os atos em investigação que envolvem o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o seu filho, Eduardo Bolsonaro (PL-RJ) – Foto: Reprodução/Instagram

Malafaia negou envolvimento com os atos em investigação que envolvem o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o seu filho, Eduardo Bolsonaro (PL-SP), e revelou não ter medo de ser preso

Por Patricia Scott

pastor Silas Malafaia voltou a criticar a decisão judicial que determinou a apreensão de seu passaporte, afirmando não haver qualquer indício de fuga que justificasse a medida. “Covardia da perseguição e da maldade. Eu não estou indiciado, apenas investigado. Como é que apreendem o passaporte de um líder religioso respeitado?”, questionou durante o Culto da Vitória realizado na Assembleia de Deus Vitória em Cristo (Advec) na Penha, zona norte do Rio de Janeiro (RJ), na noite desta quinta-feira (21).

O pastor relatou ainda que a Polícia Federal (PF) levou seus cadernos de pregações. Em tom irônico, Silas disse que o material não poderia ser usado contra ele: “Será que já digitalizaram meus cadernos? Me devolve. Tem alguma questão teológica que eu queira dar um golpe? Talvez sirva para alguém da PF aceitar a Cristo”.

Malafaia negou envolvimento com os atos em investigação que envolvem o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Ele deixou claro que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) “mirou a pessoa errada”.

“Não tenho medo de ser preso. Com todos os meus defeitos e limitações, sou um ungido de Deus. Esse homem será julgado pelas leis do país e pelas leis de Deus, e ele vai cair”, declarou. O líder religioso demonstrou receio de que o processo contra ele evolua para perseguição religiosa: “Temo que essa perseguição política se torne perseguição à fé cristã, como já acontece em outros países”.

Após o culto, à imprensa, Malafaia reforçou não ter se surpreendido com a operação da Polícia Federal no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro (RJ), mas classificou como “covardia”. “Como é que se prende o passaporte de alguém que está voltando [ao país]? Para isso, tem que existir risco de fuga. Se quisesse fugir, teria ficado em Portugal ou ido para os Estados Unidos, onde também tenho igrejas”, declarou.

De acordo com ele, a medida é “absurda” e revela o “nível a que o Brasil chegou com um homem que rasga as leis e promove perseguição a quem ele quer”, numa referência ao ministro Alexandre de Moraes. Malafaia também comentou o vazamento de mensagens trocadas com o ex-presidente Jair Bolsonaro. Para ele, houve violação da Constituição. “O artigo 5º garante o sigilo das pessoas. Quem vazou isso? Só pode ser a Polícia Federal. Eles soltam o que interessa para tirar o foco da sociedade”, salientou. Apesar da crítica, o pastor enfatizou que a divulgação provou sua independência política: “Mostrou que não sou bajulador. Questiono Bolsonaro e seus filhos quando discordo e também elogio quando concordo”.

“Crime de opinião”

Sobre a determinação judicial que o impede de falar com o ex-presidente, Malafaia classificou a medida como exemplo de “crime de opinião” no Brasil. “É a covardia de um ditador. No Estado Democrático de Direito, isso é absurdo e vergonhoso. Alexandre de Moraes é o autor dessa perseguição”, disse. E ao ser questionado se teme ser preso, respondeu: “Não tenho medo de nada. Há quatro anos denuncio seus crimes em mais de 50 vídeos. Se eu tivesse medo, estaria calado. Se ele me prender, vai arrumar a maior encrenca da vida dele”.

Silas Malafaia denuncia perseguição e pede passaporte de volta a Moraes
Pastor Silas Malafaia frisou que a Igreja não deve apoiar partidos ou candidatos, mas destacou que o cristão, individualmente, tem responsabilidade cívica – Foto: Reprodução/Instagram

Malafaia revelou ainda que já esperava retaliações: “Estou pronto para perseguição, para prisão, para qualquer coisa. Vai me prender? Ele vai arrumar a maior encrenca da vida dele, só isso que eu posso dizer, mais nada”. Ele defendeu que a participação do cristão na vida pública é respaldada pelas Escrituras. Em referência a ensinamentos de Jesus e do apóstolo Paulo, sublinhou que a cidadania terrena deve ser exercida em paralelo à espiritual.

“Jesus disse: dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. Paulo ensinou: quem tributa, tributa; quem honra, honra. Isso é cidadania. Temos a celestial, mas também a terrena”, pregou.

Malafaia frisou que a Igreja não deve apoiar partidos ou candidatos, mas destacou que o cristão, individualmente, tem responsabilidade cívica. “A Igreja é de Cristo, está acima disso. Mas cada crente é também cidadão. Fingir neutralidade é hipocrisia.”

Para aqueles que rejeitam o envolvimento com temas sociais e políticos, Malafaia deixou um recado: “Se não quiser se envolver, então não tire carteira de identidade, de motorista ou passaporte. Se o patrão não pagar, não busque a Justiça do Trabalho. Se alguém ameaçar sua família, não procure a polícia. Tudo isso é cidadania. Vamos parar de hipocrisia”. 

Sobre as manifestações convocadas para 7 de setembro, Malafaia acredita que serão grandes, com ou sem sua presença: “O povo já entendeu que o que está em jogo não é a liberdade de Silas ou de Bolsonaro, mas o futuro das próximas gerações”.

Nesta sexta-feira (22), em rede social, Malafaia pediu a Alexandre de Moraes que devolva seu passaporte e suas anotações. Pedindo “por favor”, ele relatou que tem compromissos em outros países e, por isso, precisa do documento. “Parece incrível, mas vou te agradecer, ministro. Eu vou dizer muito obrigado se o senhor fizer esses dois favores. Por que uma coisa eu não sou: covarde, medroso e fujão, eu vou estar aqui.”

Ameaça à liberdade de expressão 

Na visão do pastor presbiteriano Isaías Lobão, professor de Teologia e membro do Instituto Brasileiro de Direito e Religião (IBDR), as denúncias de perseguição feitas por Silas Malafaia não devem ser tratadas como exagero, mas como evidência de uma ameaça real à liberdade de expressão no Brasil. Segundo Lobão, quando o Estado assume para si o direito de definir quais opiniões são aceitáveis, instala-se “o princípio da tirania, o monopólio da verdade imposto pela força”. Para ele, a criminalização de discursos religiosos ou políticos não representa apenas o descumprimento da Constituição, mas uma afronta ao próprio cristianismo: “É rebelião contra Cristo, que é Rei acima de todos os reis e Senhor acima de todos os juízes”. 

Silas Malafaia denuncia perseguição e pede passaporte de volta a Moraes
O pastor Isaías Lobão disse que a questão não é gostar ou não das figuras envolvidas, mas compreender que “quando a liberdade de um é violada, todas as demais estão em risco – Foto: Arquivo Pessoal

O pastor expôs que a questão não é gostar ou não das figuras envolvidas, como Malafaia ou Bolsonaro, mas compreender que “quando a liberdade de um é violada, todas as demais estão em risco”. De acordo com Lobão, permitir que adversários sejam silenciados, hoje, significa abrir caminho para que qualquer cidadão possa ser calado amanhã. “Liberdade não é concessão de governantes, é um direito natural, inalienável”, comentou.

Lobão também criticou a tentativa de transformar opiniões em crimes: “Quando alguém se arroga o poder de definir o que pode ou não ser dito, age como déspota e como idólatra, colocando-se no lugar de Deus”. O pastor sublinhou que censura é sinônimo de ditadura, ainda que se apresente sob aparência democrática. Sendo assim, na avaliação dele, o país já vive sinais concretos de autoritarismo. “Quando pessoas são presas não por crimes reais, mas por palavras, a ditadura não é uma ameaça futura — ela já chegou”.

Apesar de enfatizar que a Igreja pertence a Cristo, e não a partidos ou governos, Lobão argumentou que cristãos não devem abrir mão de sua cidadania. “Exercer a cidadania significa resistir à tirania e proteger a liberdade de culto, de expressão e de consciência”, ponderou.

Desse modo, o pastor advertiu que o debate vai além de nomes ou figuras públicas. “O cerne da questão não é Malafaia, Bolsonaro ou qualquer indivíduo. O problema é um Estado que se arroga o direito de decidir quem pode falar e quem deve ser silenciado. Enquanto aceitarmos isso, estaremos pavimentando o caminho para uma ditadura — togada, fardada ou travestida de democracia.”

Risco democrático

Ao seguir a mesma linha de pensamento, Renato Vargens, pastor sênior da Igreja Cristã da Aliança em Niterói (RJ), compartilhou, em rede social, que a defesa dos direitos constitucionais do pastor Silas Malafaia não deve ser confundida com endosso a sua atuação ministerial ou posição teológica. Segundo ele, o que está em jogo não é a aprovação de ideias ou estilos de pregação, mas a garantia da liberdade de expressão de qualquer cidadão.

Silas Malafaia denuncia perseguição e pede passaporte de volta a Moraes
Pastor Renato Vargens: “Somente países ditatoriais cerceiam a liberdade e calam vozes” – Foto: Thamirys Lima, Igreja Cristã da Aliança

“Uma coisa é discordar da forma como ele fala e da teologia que abraça, outra coisa é querer proibi-lo de falar. Somente países ditatoriais cerceiam a liberdade e calam vozes”, pontuou.

O pastor asseverou ainda que a relativização da liberdade de expressão no Brasil representa um grave risco democrático. “A questão não é gostar ou não do Malafaia, mas entender que o direito à liberdade está sendo colocado nas mãos de um ministro da Suprema Corte. Quando o cerceamento atingir você ou sua fé, não adiantará reclamar depois”, postou. 

Vargens ainda fez um apelo à oração pela nação, enfatizando a gravidade do momento político. “Desde a redemocratização, nunca vivemos um tempo como este, em que emitir opiniões pode resultar em cadeia”, concluiu.

Fonte: Portal comunhão

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