
A vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão, se prepara para assumir interinamente o Governo do DF a partir desta segunda-feira em um momento decisivo de sua trajetória política. Com projeção cada vez mais consolidada para disputar o Palácio do Buriti nas próximas eleições, seu nome cresce — e, junto com ele, aumentam também os ataques.
Mas não são ataques comuns da política.
Não se tratam apenas de divergências de ideias ou críticas administrativas.
O que se observa, segundo aliados e analistas do cenário local, é uma escalada de investidas que atingem sua imagem pessoal e, em alguns casos, sua condição como mulher na política.
Nos bastidores, o cenário político no DF se acirra com a movimentação de José Roberto Arruda e Gim Argello, nomes que carregam condenações e episódios já conhecidos do eleitorado. Sem espaço consistente junto à população, recorrem a ataques pessoais para tentar ganhar visibilidade, mirando justamente uma mulher que cresce politicamente. A estratégia revela mais sobre quem ataca do que sobre quem é alvo.
Dentro desse cenário, episódios recentes chamaram atenção.
Primeiro, críticas e zombarias pelo fato de Celina participar de eventos populares, cantar e dançar — algo que, para muitos, ultrapassa o debate político e entra no campo pessoal.
Depois, a circulação de uma informação falsa de que ela teria sido vaiada durante um evento cultural no Ginásio Nilson Nelson. Na ocasião, no entanto, a governadora em exercício foi recebida com aplausos por milhares de pessoas durante uma apresentação marcada por cultura, inclusão social e participação popular.
Mesmo assim, a versão distorcida ganhou espaço nas redes.
Na sequência, surgiram manifestações com teor machista, resgatando discursos ultrapassados sobre o papel da mulher na sociedade. A resposta de Celina foi direta:
“Ainda tem quem diga que lugar de mulher é na cozinha. Que mulher não entende de política. Que mulher não nasceu para liderar. Mas no Distrito Federal a gente responde com ações, proteção e oportunidade.”
A fala reflete não apenas posicionamento, mas também resultados concretos. Segundo a vice-governadora, os investimentos em políticas públicas voltadas às mulheres cresceram mais de 1.000% nos últimos anos. A estrutura de atendimento também foi ampliada de forma significativa: a rede que antes contava com 14 unidades passou a ter 31 equipamentos espalhados pelo Distrito Federal, fortalecendo o acolhimento, a proteção e o acesso a serviços essenciais.
Mais recentemente, outro episódio envolvendo desinformação ganhou repercussão. Circulou nas redes sociais uma narrativa sobre um suposto contato entre Celina Leão e o empresário Daniel Vorcaro, o que foi prontamente desmentido.
“Essa turma da fake news é criativa. Disseram que eu troquei mensagens com ele em dezembro, mas eu não tenho nem o contato dele”, afirmou.
Ela também classificou o episódio como “jornalismo de ficção” e alertou para possíveis responsabilizações de quem dissemina informações falsas.
Nos bastidores, a leitura de aliados é de que, diante do crescimento político de Celina e da dificuldade de enfrentamento no campo administrativo, o embate tem migrado para estratégias que priorizam o desgaste da imagem.
E é nesse ponto que o debate se aprofunda.
Em vez da apresentação de propostas ou da construção de alternativas concretas para a população, o que se vê é um cenário em que ataques pessoais passam a ocupar o lugar do debate político.
Outro ponto que chama atenção é o papel de determinados veículos de comunicação nesse processo.
Em um momento em que tanto se discute o protagonismo feminino, causa estranheza que espaços que contam, inclusive, com mulheres em posições editoriais, acabem sendo utilizados para amplificar conteúdos que contribuem para desqualificar outra mulher.
O episódio levanta uma reflexão necessária sobre responsabilidade, coerência e o verdadeiro compromisso com a valorização feminina.
Porque, no fim, não se trata apenas de uma disputa política.
Se trata de respeito.
Se trata de limites.
E se trata de um questionamento direto à sociedade — especialmente às mulheres do Distrito Federal:
se não agora, quando? E se não por ela, por quem?
Jornalista: Aparecida Frausino


















