
A movimentação do PSD nacional no Distrito Federal acendeu um alerta nos bastidores da política local. A decisão de conceder protagonismo ao ex-governador José Roberto Arruda, atualmente inelegível por decisão confirmada pela 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) alterou o equilíbrio interno do partido e provocou uma série de rearranjos observados com cautela por aliados e adversários.
A intervenção da cúpula nacional, liderada por Gilberto Kassab, mudou a dinâmica do diretório regional. Embora Paulo Octávio permaneça formalmente na presidência do PSD-DF, interlocutores políticos avaliam que o centro das decisões estratégicas passou por redefinição.
A aposta nacional parece clara: testar o potencial de mobilização de Arruda, mesmo diante da atual condição jurídica que o impede de disputar eleições. O cálculo, segundo analistas, envolveria a possibilidade de reversões futuras. No cenário presente, porém, a inelegibilidade cria insegurança objetiva para a montagem de nominatas e alianças.
Esvaziamento e dificuldade de composição
Após a reorganização interna, nomes conhecidos da legenda tomaram rumos distintos. Deputados distritais como Robério Negreiros e Jorge Vianna seguiram caminhos diferentes, e o ex-deputado Cláudio Abrantes também deixou o partido. A saída de quadros experientes impacta diretamente na capacidade de articulação eleitoral.
Para as eleições proporcionais, os números são desafiadores. Estima-se que uma legenda precise alcançar cerca de 190 mil votos para eleger um deputado federal no DF e aproximadamente 70 mil votos para garantir uma cadeira na Câmara Legislativa. Sem uma nominata robusta, o desafio se torna ainda maior.
Nos bastidores, há relatos de dificuldades para fechar chapas competitivas. Em política, matemática pesa: menos candidatos competitivos significam menor chance de atingir o quociente eleitoral.
A equação André Kubitschek
O nome de André Kubitschek surge como possível peça central da estratégia. Na última eleição, ele obteve cerca de 21 mil votos para deputado federal. Para uma vaga na CLDF, o patamar gira em torno de 70 mil votos — um salto expressivo.
Além disso, o cenário local é influenciado pela sucessão ao governo, com a vice-governadora Celina Leão aparecendo bem posicionada nas pesquisas. O alinhamento político das lideranças será determinante.
Risco calculado ou aposta temerária?
A grande questão é se a estratégia fortalece ou fragiliza o PSD-DF. Há quem defenda que Arruda ainda possui recall eleitoral. Outros avaliam que insistir em um nome atualmente inelegível aumenta a insegurança jurídica e dificulta alianças.
Importante destacar: a inelegibilidade é um fato jurídico vigente, reconhecido pelo STJ. O debate aqui é político e estratégico.
A poucos meses do prazo de registro de candidaturas, o PSD-DF enfrenta o desafio de organizar suas chapas e reconstruir unidade interna. Em ano eleitoral, tempo é ativo escasso.
No tabuleiro de 2026, estratégia exige segurança jurídica e viabilidade concreta nas urnas. Apostar em um nome que hoje não pode disputar eleição é, no mínimo, um cálculo arriscado. E quando a expectativa de um projeto depende mais de uma eventual reviravolta judicial do que de estabilidade política, o risco deixa de ser ousadia e passa a soar como insistência.
Resta saber se o partido está construindo um caminho para o futuro — ou apenas tentando reviver um passado que ainda carrega pendências no presente.
Com informações do Portal Radar DF e Redação do Site.


















