
A fala do bispo Bruno Leonardo nesta semana ecoou como um alerta necessário — e urgente — dentro e fora das igrejas. Em um vídeo que rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais, o líder religioso abordou de forma direta uma realidade que ainda é silenciada em muitos espaços de fé: a violência doméstica sofrida por milhares de mulheres, muitas delas incentivadas a permanecer em relacionamentos abusivos em nome de uma fé mal interpretada.
Com firmeza, o bispo questionou práticas que, ao longo dos anos, foram naturalizadas dentro de ambientes religiosos e que, na prática, colocam mulheres em risco.
“Até quando você vai ficar com esse homem que te agride?”, questiona ele no vídeo. “O papel da igreja é acolher, orientar, proteger — nunca ser conivente com a violência.”
A declaração reacende um debate urgente sobre o papel das igrejas diante da violência doméstica. Para especialistas, líderes religiosos exercem influência direta na vida emocional, espiritual e até nas decisões práticas de milhares de mulheres. Quando esse poder é usado para incentivar a permanência em relações abusivas, o resultado pode ser devastador.
A fala de Bruno Leonardo rompe com um silêncio histórico e expõe a necessidade de uma mudança de postura institucional. Mais do que aconselhar a “suportar”, a igreja precisa oferecer apoio real, encaminhamento psicológico, orientação jurídica e, sobretudo, proteção às vítimas. Fé não pode ser sinônimo de sofrimento imposto.
O posicionamento do bispo também reacende um debate fundamental: onde estão os programas das igrejas voltados ao acolhimento de mulheres vítimas de violência? Onde estão as redes de apoio, os espaços seguros, as campanhas de conscientização e os projetos de reconstrução da dignidade feminina?
Em um país onde os índices de violência doméstica seguem alarmantes, o silêncio se torna cumplicidade. A fala de Bruno Leonardo rompe esse ciclo e lança um desafio direto às lideranças religiosas: é hora de a igreja acordar, assumir responsabilidade social e se tornar parte ativa da proteção, do cuidado e da libertação dessas mulheres.
A fé que transforma não aprisiona. Ela liberta. E proteger vidas deve ser prioridade — dentro e fora dos templos.


















