Em busca de voto entre as mulheres, Bolsonaro pensa em Tereza Cristina para vice

A considerável desvantagem de Jair Bolsonaro (PL) para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na corrida presidencial entre o eleitorado feminino tem levado o atual chefe do Palácio do Planalto ao desespero, na busca de soluções para diminuir a diferença. Nas intenções de voto, as mulheres dão a vitória a Lula em todas as faixas salariais, segundo a mais recente pesquisa Datafolha, divulgada no final de maio.

Por isso, apesar de preferir o general Braga Netto para ser seu vice na tentativa da improvável reeleição, Bolsonaro reconheceu, nesta quarta-feira (15), que pode estar mudando de ideia. Substituiria o militar pela deputada Tereza Cristina, ex-ministra da Agricultura. A parlamentar é aliada de Bolsonaro de primeira hora.

Engenheira agrônoma e ex-presidente da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), antes mesmo de assumir o ministério Tereza Cristina era apelidada de “musa do veneno”, por sua dedicação a mudar as regras para os agrotóxicos no Brasil. Em 29 de maio de 2020, ela foi objeto de reportagem do jornal francês Le Monde, no qual o prestigioso diário mudou o apelido da então ministra. A matéria a chamou de “Madame Déforestation” (senhora Desmatamento). Segundo o jornal, ela é “uma dama de ferro dedicada ao agronegócio, cujas políticas acabaram de levar a um novo recorde de desmatamento”.

“Cotadíssima”

Nesta quarta, Bolsonaro comentou sobre a aliada e as possibilidades de ela ser sua vice. “Cotadíssima, excelente pessoa também”, disse à jornalista Leda Nagle. “Eu espero que dê certo, e o vice está praticamente acertado, o nome dessa pessoa. Eu não revelei para ninguém, mas você falou Tereza Cristina. Sim, excelente nome”, afirmou. Na mesma entrevista, porém, ele despista. “Eu nem falei que o Braga Netto é meu vice, como é que vou trocar?” Elogiou o general, fiel aliado, e também disse que o militar “é cotadíssimo” para o cargo de vice.

A ex-ministra deixou a Agricultura em março passado, para se candidatar a uma vaga ao Senado por Mato Grosso do Sul. O general, por sua vez, também deixou o Ministério da Defesa e deve sair do cargo de assessor especial no Palácio do Planalto no final do mês.

Para tentar reverter ou pelo menos diminuir a rejeição do candidato à reeleição entre as mulheres, o bolsonarismo apostava na esposa do presidente, Michelle. A ideia era colocá-la como “estrela” na propaganda de TV. Mas a primeira-dama decepcionou o staff do marido e tem relutado em gravar suas inserções, alegando problemas de agenda.

Em todas as faixas

Segundo o último Datafolha, no final de maio, entre as mulheres com renda até dois salários mínimos, Lula tem vantagem de 54% a 20% contra Bolsonaro. Na faixa de dois a cinco salários, o petista vence por 41% contra 27% do presidente. A diferença é ligeiramente menor entre as mulheres com renda superior a cinco salários: 41% a 29%.

Em um eventual segundo turno entre o atual e o ex-presidente, Lula venceria por 67% a 24% (até dois salários), por 55% a 35% (entre dois e cinco) e por 51% a 36% (acima de cinco salários). (RBA)

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