
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apontou deflação de 0,36% no mês de agosto, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A queda é a menor para o mês de agosto em 24 anos, desde 1998. E é o segundo mês seguido com deflação: em julho, o índice foi de -0,68%.
Em 2022 (de janeiro a agosto), a inflação acumula alta de 4,39%. Nos últimos 12 meses, o índice ficou de 8,73%, o menor desde junho do ano passado. Nos 12 meses imediatamente anteriores, a alta havia sido de 10,07%.
Veja as variações:


A inflação oficial, divulgada pelo IBGE, tem o objetivo de medir os preços de um conjunto de produtos e serviços comercializados no varejo.

A deflação de agosto foi influenciada pela baixa no grupo dos transportes (-3,37%). Dentro deste setor, a queda no preço dos combustíveis (-10,82%) foi a que mais influenciou na deflação. Veja as demais categorias:

Segundo Pedro Kislanov, gerente da pesquisa, os preços das passagens aéreas também caíram em agosto (-12,07%), depois de quatro meses consecutivos em alta. Neste caso, a sazonalidade passa a ser uma explicação. “Essa é uma comparação com julho, que é um mês de férias e há aumento da demanda. Além disso, foram quatro meses seguidos de alta, o que eleva a base de comparação. Também há o impacto da redução do querosene de aviação nesse período”, detalha.
Outros grupos
O grupo referente a comunicação também teve recuo: -1,10%. Saúde e cuidados pessoais aumentaram 1,31% e alimentação e bebidas, 0,24%. Também impactou nessa desaceleração da inflação o grupo habitação (0,10%).
Kislanov afirma que alguns fatores explicam a queda menor da inflação em relação a julho (-0,68% para -0,36% em agosto). “Um deles é a retração menos intensa da energia elétrica (-1,27%), que havia sido de 5,78% no mês anterior, em consequência da redução das alíquotas de ICMS”, conta.
“Também houve aceleração de alguns grupos, como saúde e cuidados pessoais (1,31%) e vestuário (1,69%), e a queda menos forte do grupo de transportes em agosto. No mês anterior, os preços da gasolina, que é o item de maior peso no grupo, tinham caído 15,48% e, em agosto, a retração foi menor (-11,64%)”, ressalta o especialista.