
Indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o Supremo Tribunal Federal (STF), o advogado-geral da União, Jorge Messias, prepara uma articulação estratégica no Senado para garantir votos do Centrão e da direita, blocos decisivos para sua aprovação na CCJ e no plenário da Casa. Para assumir a cadeira, ele precisará do apoio de 41 senadores.
Mesmo sendo evangélico desde a infância, Messias tem afirmado a interlocutores que não pretende levar temas religiosos para sua atuação na Corte. Pelo contrário: tem reforçado que sua atuação será técnica, constitucional e independente.
“Não sou um ministro evangélico. Sou um evangélico ministro. Minha fé não é plataforma política”, tem dito o indicado.
A resposta busca tranquilizar especialmente a bancada evangélica, que pretende questioná-lo sobre temas sensíveis como aborto. Aliados afirmam que Messias tratará essas pautas sob “critérios jurídicos, não morais”.
Com bom trânsito no Senado — fruto dos anos em que foi chefe de gabinete do senador Jaques Wagner (PT-BA) — Messias também tenta superar resistências de aliados de Davi Alcolumbre, que defendiam outro nome para a vaga.
A estratégia do AGU é clara: apresentar-se como um jurista equilibrado, comprometido com a Constituição e distante de disputas ideológicas. Agora, o desafio é transformar esse discurso em votos suficientes para chegar ao Supremo.


















