
O Brasil deu mais um passo importante no combate a fraudes envolvendo o Pix. Entrou em funcionamento, no último domingo, a versão atualizada do Mecanismo Especial de Devolução (MED) — ferramenta criada pelo Banco Central para localizar e devolver valores transferidos indevidamente em golpes, fraudes ou situações de coerção.
A grande novidade? Agora o sistema não olha apenas para a primeira conta que recebeu o dinheiro. Ele passa a seguir o “rastro” das movimentações, identificando possíveis destinos dos recursos após a fraude, algo que antes era praticamente impossível diante da velocidade com que criminosos sacam e transferem valores.
Embora o uso ainda seja facultativo, todas as instituições financeiras serão obrigadas a adotar o novo MED a partir de 2 de fevereiro de 2026.
✅ Por que essa atualização era necessária?
Quando o MED foi lançado, em 2021, ele funcionava de forma mais limitada: só conseguia bloquear valores na primeira conta que recebeu o Pix fraudulento. O problema é que golpistas agem rápido — esvaziam a conta, transferem o dinheiro para outras e inviabilizam a devolução.
Em 2022, ficou claro para o Banco Central e para os bancos que era preciso ampliar o alcance do mecanismo. Agora, com a versão aprimorada:
- O MED rastreia possíveis trilhas do dinheiro.
- Compartilha essas informações entre os bancos envolvidos.
- Possibilita a devolução em até 11 dias após a contestação do cliente.
Na prática, isso aumenta a chance de a vítima ter o valor recuperado.
🛡️ Botão de contestação: denúncia mais rápida e sem burocracia
Desde 1º de outubro, o Pix passou a contar com o “botão de contestação” — um recurso dentro do próprio aplicativo do banco. Ele permite comunicar uma fraude de forma digital, sem precisar ligar para atendimento ou enfrentar filas virtuais.
Com o aviso mais rápido, o bloqueio dos valores também acontece com mais agilidade, reduzindo o tempo de ação dos criminosos e aumentando a probabilidade de recuperação do dinheiro.
🔙 Como pedir o Pix de volta? Veja o passo a passo
Segundo o Banco Central, o pedido deve ser feito em até 80 dias após a transação.
1️⃣ Registre a reclamação no seu banco ou instituição de pagamento.
2️⃣ A instituição analisa o caso. Se identificar indícios de golpe, o valor recebido pelo fraudador é bloqueado.
3️⃣ Análise em até 7 dias:
- Se não for fraude, o dinheiro é liberado ao recebedor.
- Se for fraude, a devolução é feita em até 96 horas, total ou parcial, dependendo do saldo disponível.
4️⃣ Se houver apenas devolução parcial, o banco do fraudador pode realizar bloqueios sucessivos por até 90 dias, até chegar ao valor total devido.
🔍 O que muda para o usuário?
- Mais agilidade na contestação.
- Maior chance de reaver o dinheiro.
- Monitoramento mais amplo das transações suspeitas.
O novo MED não elimina o risco de golpes, mas torna o ambiente do Pix mais seguro — e pressiona criminosos que, até então, se beneficiavam da velocidade das transferências.
✅ Fica o alerta
Mesmo com o avanço tecnológico, a melhor defesa ainda é a prevenção. Desconfie de pedidos urgentes, ofertas milagrosas e links suspeitos. E, diante de qualquer dúvida, não conclua a transferência.
O Pix segue sendo um dos sistemas mais eficientes e populares do país — e agora, mais protegido.


















