
Os últimos dias apenas escancararam o que as mulheres denunciam há anos — e que o Brasil insiste em não enfrentar com a urgência necessária. Uma jovem teve as pernas amputadas após ser atropelada e arrastada por quase um quilômetro pelo ex-companheiro. Outra trabalhadora foi atacada a tiros em plena rua. Uma mãe e quatro crianças foram brutalmente assassinadas dentro da própria casa. Uma jovem foi estuprada e morta enquanto praticava um esporte.
Casos distintos, cidades diferentes, histórias únicas. Mas todos movidos pela mesma raiz: violência estrutural, controle, ódio à autonomia feminina e agressões anteriores que jamais receberam a atenção e a proteção que deveriam.
Em 2025, mais de mil mulheres já foram assassinadas simplesmente por serem mulheres. Para quem vive essa realidade, o número não surpreende. Mas deveria chocar o país inteiro. Deveria parar agendas, virar prioridade nacional, mobilizar governos, igrejas, instituições e a sociedade. Não podemos mais aceitar que o Brasil seja um território onde ser mulher significa correr risco.
É diante desse cenário insustentável que movimentos sociais, coletivos femininos e milhares de brasileiras organizam, neste fim de semana, um grande levante nacional. O nome não poderia ser mais direto: Mulheres Vivas. A mensagem também não: feminicídio não é destino, não é “crime passional”, não é tragédia isolada. É violência de gênero. É estrutural. E precisa ter fim.
Atos confirmados pelo Brasil
O movimento tomará ruas de todas as regiões do país, reunindo mulheres, famílias, aliadas e toda a sociedade que se recusa a normalizar o inaceitável.
Brasília / Entorno (DF/GO): 7/12, 10h — Torre de TV
São Paulo (SP): 7/12, 14h — vão do Masp
Rio de Janeiro (RJ): 7/12, 12h — Posto 5, Copacabana
Curitiba (PR): 7/12, 10h — Praça João Cândido, Largo da Ordem
Cuiabá (MT): 6/12, 14h — Praça Santos Dumond
Campo Grande (MS): 7/12, 13h — em frente ao Aquário do Pantanal
Manaus (AM): 7/12, 17h — Largo São Sebastião
Parnaíba (PI): 7/12, 16h — Parnaíba Shopping
Belo Horizonte (MG): 7/12, 11h — Praça Raul Soares
A convocação é ampla e suprapartidária. Porque o feminicídio não escolhe CEP, idade, profissão, raça ou religião. Quem morre é sempre uma mulher — uma mãe, filha, irmã, amiga, profissional. E nenhuma estatística deve falar mais alto do que uma vida.
O movimento Mulheres Vivas é um grito coletivo para romper o silêncio, pressionar por políticas públicas efetivas, responsabilização, prevenção e uma mudança de cultura que coloque a vida das mulheres no centro.
Basta de feminicídio. Basta de naturalizar a violência.
Nós queremos — e exigimos — mulheres vivas.


















