
O ex-governador José Roberto Arruda voltou a protagonizar mais um capítulo de contradições que marcam sua trajetória na política do Distrito Federal. Mesmo inelegível, condição mantida por conta de suas condenações e da longa lista de rupturas de mandato. Arruda passou os últimos meses tentando convencer os brasilienses de que voltaria ao Palácio do Buriti em 2026. Fez discurso de candidato, apareceu em eventos de rua, gravou vídeos e atacou o atual governo como se estivesse oficialmente na corrida eleitoral.
Mas o discurso não se sustentou por muito tempo.
Nesta semana, Arruda surgiu no evento de filiação da deputada Paula Belmonte ao PSDB, onde a parlamentar se lançou publicamente como pré-candidata ao Governo do Distrito Federal. O ex-governador, que até semana passada dizia ser candidato, agora aparece como apoiador de outra postulante ao cargo. Uma mudança brusca, que levanta perguntas que os brasilienses já conhecem bem: qual Arruda está falando a verdade?
Ao se apresentar como líder capaz de “influenciar” a sucessão de 2026, Arruda tenta mais uma vez sobreviver politicamente às custas da memória curta de parte do eleitorado. Mas os fatos continuam ali: ele não pode ser candidato, não conseguiu concluir a maioria dos mandatos que iniciou e carrega marcas profundas deixadas pelos escândalos que abalaram o DF. Ainda assim, tenta ocupar espaço e posar como referência para futuros governantes.

A postura de Paula Belmonte também chamou atenção. Ao receber e celebrar apoio de um político condenado e impedido de disputar eleições, a deputada envia um recado duplo ao eleitor: abre mão do discurso de renovação e se alia exatamente ao tipo de figura que ela mesma criticou ao longo da carreira pública. A estratégia expõe fragilidade política e sugere falta de coerência para quem pretende comandar o Distrito Federal.
O episódio confirma aquilo que Brasília já percebeu: Arruda segue repetindo velhas práticas, tentando enganar os brasilienses com promessas que ele sabe que não pode cumprir, enquanto se movimenta nos bastidores para manter relevância política. Para os eleitores, resta a pergunta inevitável: quem realmente está preparado para governar o DF e quem apenas tenta ressuscitar um passado que a população já rejeitou?


















