
Datas comemorativas costumam carregar um imaginário de união, harmonia e amor. A ceia perfeita, a família reunida, risadas, fotos e abraços. Mas, na prática, para muitas mulheres, esses encontros são tudo… menos leves. São atravessados por lembranças dolorosas, conflitos antigos, feridas abertas, críticas veladas, comparações, silêncios desconfortáveis e até violências sutis.
Se a ceia te provoca mais ansiedade do que alegria, você não está sozinha. E não há nada de errado com você por isso.
Por que a família ativa tantas emoções?
A família é o primeiro espaço de vínculos, afeto, pertencimento (mas também de frustrações, ausências, rejeições e expectativas). É nesse ambiente que aprendemos quem somos, o quanto valemos e se somos ou não dignas de amor. Por isso, ao reencontrar pessoas que fizeram (ou ainda fazem) parte de capítulos difíceis da nossa história, o corpo reage antes mesmo da razão.
O coração acelera, a respiração muda, os pensamentos disparam:
“Será que vão me julgar?”
“Vou ter que ouvir de novo as mesmas críticas?”
“Por que ela sempre me trata assim?”
Nada disso é exagero. É memória emocional.
A mulher que silencia para manter a “paz”
Muitas mulheres foram ensinadas a engolir o choro, relevar o desrespeito, manter a aparência de uma família perfeita, mesmo que isso custe a própria saúde emocional. São mulheres que sentam à mesa com um sorriso no rosto e um nó no estômago.
Mas aqui vai uma verdade importante:
manter a paz externa às custas do próprio adoecimento interno não é maturidade, é autoabandono.
Estratégias de sobrevivência emocional para encontros difíceis
Se você escolheu ou precisa estar nesse encontro, algumas estratégias podem te ajudar a atravessar esse momento com mais consciência e menos culpa:
1. Tenha expectativas realistas
Nem toda ceia será leve. Nem toda pessoa vai mudar. Esperar menos evita frustrações maiores.
2. Não entre em disputas antigas
Discussões recorrentes raramente se resolvem numa noite. Preserve sua energia emocional.
3. Estabeleça limites claros — inclusive internos
Você não é obrigada a responder tudo, explicar tudo ou aceitar qualquer tipo de comentário.
4. Permita-se sair de ambientes que te ferem
Se ficar é adoecedor, sair é autocuidado.
5. Não confunda vínculo com obrigação de sofrimento
Laços de sangue não anulam o direito ao respeito.
E se mesmo assim doer?
Vai doer. Algumas ausências doem, algumas presenças também. E está tudo bem reconhecer isso. O que você sente importa. Validar a própria dor é um passo essencial para interromper ciclos de culpa, submissão e silêncio.
Você não precisa carregar sozinha o peso de uma história que não foi justa com você.
Um convite final
Que neste ano, mais do que uma ceia perfeita, você se permita um encontro verdadeiro consigo mesma. Com seus limites, suas emoções e suas necessidades. Você não precisa se diminuir para caber na mesa de ninguém.
Você merece estar onde a sua alma consiga respirar.


















