
Os atos de 8 de Janeiro ainda ecoam pelo país, especialmente pelo caso de uma manifestante que ganhou repercussão nacional ao pichar, com batom, uma estátua em Brasília. O gesto, considerado símbolo de ataque às instituições, rendeu a ela um pedido de condenação que pode chegar a 17 anos de prisão, enquadrado como grave ameaça ao Estado Democrático de Direito e ao patrimônio público.
Mas um novo episódio reacendeu uma pergunta incômoda — e inevitável.
Em Belo Horizonte, durante um protesto contra aliados do presidente Lula, uma manifestante de esquerda utilizou spray de tinta para pichar um patrimônio histórico tombado, causando um dano permanente em um bem protegido por lei. O ato, assim como no caso anterior, foi político, deliberado e registrado em vídeo.
E agora, o país observa.
A Justiça será tão rigorosa quanto foi no caso anterior?
No episódio de Brasília, os argumentos utilizados foram duros e categóricos:
- ataque às instituições
- dano ao patrimônio público
- necessidade de pena exemplar
A manifestante virou símbolo nacional de punição severa.
Mas, em Belo Horizonte, temos elementos ainda mais graves do ponto de vista técnico:
- o patrimônio é tombado, portanto protegido por legislação específica
- o dano é irreversível, já que spray de tinta não pode ser removido sem afetar a estrutura
- o ato foi igualmente político e intencional
A narrativa, no entanto, parece caminhar em ritmo diferente.
Vandalismo não tem lado — a lei deveria ser igual para todos
Independente da ideologia, uma verdade se mantém:
⚠️ Patrimônio público deve ser protegido. Sempre.
⚠️ Vandalismo não é liberdade de expressão.
O debate que surge não é sobre quem está certo ou errado politicamente, mas sobre algo maior e muito mais sensível: a coerência da Justiça.
Quando manifestantes de um lado recebem tratamento exemplar e punitivo, enquanto atos semelhantes — ou até mais graves — do outro lado não geram a mesma reação, o país é empurrado para uma perigosa sensação de seletividade judicial.
Não estamos falando apenas de punição.
Estamos falando de credibilidade.
Estamos falando de confiança.
Estamos falando de Justiça que não pode ter cor, bandeira ou preferência.
Se a lei vale só para alguns, não é Justiça.
É dois pesos e duas medidas.


















