
A decisão do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, de apresentar publicamente José Roberto Arruda como filiado e tratá-lo como alternativa ao Governo do Distrito Federal ignora um dado central: Arruda está inelegível por condenações por improbidade administrativa, condição vigente enquanto não houver decisão judicial em sentido contrário.
Ao promover politicamente um nome impedido de disputar eleições, o gesto ultrapassa o campo da articulação partidária e entra no terreno da desconsideração institucional. A Justiça já se manifestou, e o fato de o registro de candidatura ocorrer apenas mais adiante não altera a realidade jurídica atual.
A reação do Distrito Federal ao gesto político foi imediata e firme. Nas redes sociais, o anúncio recebeu uma enxurrada de críticas, com eleitores lembrando a inelegibilidade de Arruda e cobrando consistência do PSD. A leitura pública também se reflete nas últimas pesquisas, nas quais o ex-governador não demonstra competitividade nem respaldo expressivo do eleitorado. Para muitos, o recado foi direto: insistir em um nome barrado pela Justiça é insistir no erro.
O apoio público de Kassab, que também já respondeu a ações de improbidade administrativa em sua trajetória, com sanções já cumpridas, reforça a sensação de que parte da elite política trata decisões judiciais como obstáculos contornáveis, não como limites institucionais. A cena chocou parte do DF, que viu na movimentação a repetição de velhas práticas que afastam a população do debate público.
Em um momento em que o país cobra compromisso real com transparência, o episódio entregou ao eleitorado uma mensagem desconfortável: enquanto a Justiça fecha portas, há quem tente reabri-las politicamente. E a resposta do DF, nas redes e nas pesquisas, ecoa em uníssono “Arruda, não.”
Jornalista: Cida Frausino


















