
Ao longo dos últimos dois anos, uma igreja localizada em Atlanta, no estado da Geórgia (EUA), tem registrado um crescimento expressivo no número de frequentadores. A 2819 Church passou de cerca de 200 pessoas nos cultos semanais para aproximadamente 6 mil participantes aos domingos.
A maior parte do público é formada por jovens, muitos dos quais chegam ao local ainda nas primeiras horas da manhã. Há registros de fiéis que começam a se reunir do lado de fora da igreja por volta das 5h30, aos domingos, para garantir participação nos cultos. Segundo relatos, o que tem atraído essa geração é a combinação de um louvor intenso com mensagens centradas em arrependimento, conduzidas pelo pastor Philip Anthony Mitchell.
Em outubro, a igreja realizou um evento de oração que reuniu cerca de 40 mil pessoas em uma arena local. Durante os momentos de louvor e intercessão, jovens foram vistos ajoelhados ou prostrados ao chão, em um ambiente descrito como de quebrantamento espiritual. A jovem Desirae Dominguez, de 24 anos, relatou à AP News: “A adoração é louca. O Espírito Santo está simplesmente ali. A presença é tangível. Você sente isso”.
“Almas em jogo”
Após os momentos de louvor, o pastor Philip Mitchell costuma subir ao púlpito para exortações centradas na necessidade de arrependimento e na expectativa da volta de Jesus Cristo. Em entrevista, ele afirmou: “Para mim, é questão de vida ou morte. Há almas que estão em jogo. Penso no fato de que, naquele templo, alguém pode ouvir o Evangelho, e essa pode ser sua última oportunidade.”.
O nome da igreja faz referência ao texto bíblico de Mateus 28:19, no qual Jesus ordena aos discípulos que façam discípulos de todas as nações. A comunidade se define como teologicamente conservadora e tem atraído pessoas de diferentes faixas etárias, com predominância de jovens adultos.
As mensagens do pastor também são marcadas por seu testemunho pessoal. Mitchell afirma ter sido resgatado por Deus de uma trajetória envolvendo tráfico de drogas e ideação suicida. Esse histórico tem sido citado por frequentadores como um fator de identificação com a pregação. “Ele fala biblicamente sobre pecado e arrependimento e como realmente há esperança no Evangelho”, disse Elijah McCord, de 22 anos. Segundo ele, os sermões dialogam diretamente com a realidade vivida em Atlanta.
Sem concessões
Outro membro da igreja, Donovan Logan, de 23 anos, afirmou que o estilo direto das mensagens é um diferencial. “É isso que a pregação deveria fazer. Se você vem à igreja e não quer mudar, então essa não é a igreja para onde deveria ir”, declarou.
O próprio pastor descreve sua abordagem como intencionalmente sem concessões. “Estou pregando sem diluir, sem filtrar coisas que achamos que podem ser muito controversas. Acho que há uma geração que está se inclinando para essa autenticidade e verdade”, afirmou. Em seguida, acrescentou: “Como resultado disso, estamos vendo vidas sendo radicalmente transformadas.”.
As mensagens passaram a circular amplamente nas redes sociais, e as transmissões dos cultos alcançam cerca de 75 mil pessoas por semana. Apesar da visibilidade, Mitchell afirma lidar com sentimentos de inadequação. “Derramo muitas lágrimas porque muitas vezes me sinto mal preparado, indigno. Eu não teria me chamado se fosse Deus para cuidar de algo assim, e às vezes não sei por que minha pregação está alcançando as pessoas. Eu mesmo ainda estou chocado”, confessou.
O pastor relatou ainda que, devido ao conteúdo considerado “duro” por críticos, ele e sua família já foram alvo de críticas públicas e ameaças. Como parte da estrutura de cuidado pastoral, a 2819 Church organiza pequenos grupos chamados de “Esquadrões”, responsáveis pelo discipulado e acompanhamento de cerca de 1.700 membros.
Fonte: Portal Goodprime


















