
O Entorno do Distrito Federal voltou a ganhar destaque no discurso político, mas não exatamente pelas razões corretas. À medida que o cenário eleitoral se aproxima, cresce o número de visitas, discursos e aparições públicas de figuras que, durante anos, ignoram a região, mas que agora demonstram súbito interesse por seus moradores. A explicação é conhecida: milhares de pessoas vivem no Entorno, mas ainda mantêm o título eleitoral no DF, tornando-se alvo estratégico de campanhas que buscam voto antes de compromisso.
O que chama atenção é que esse interesse não nasce de um histórico de ações ou políticas públicas estruturantes. Pelo contrário. Quando houve oportunidade real de governar, o Entorno permaneceu à margem, sem integração, sem planejamento regional e sem atenção institucional compatível com sua importância social e econômica. Agora, o discurso muda, mas o passado permanece intacto.
Nesse cenário, surge também a figura de um candidato que sequer pode disputar eleições, mas que, mesmo assim, circula por palanques no Entorno, posa ao lado de lideranças locais e tenta se apresentar como alternativa política. Um movimento que soa contraditório e oportunista, sobretudo por partir de quem nunca olhou para a região quando esteve em posição de poder. Mais curioso ainda é ver políticos locais embarcando nesse projeto, como se a memória administrativa pudesse ser apagada por conveniência eleitoral.
O contraste se torna ainda mais evidente quando se observa quem, de fato, institucionalizou o olhar para o Entorno. Foi no governo de Ibaneis Rocha que a região deixou de ser apenas um número no mapa eleitoral e passou a integrar oficialmente a agenda do Distrito Federal, com a criação da Secretaria Extraordinária do DF Entorno. A medida representou um marco histórico ao estabelecer uma estrutura permanente de diálogo, articulação e integração entre o DF e os municípios vizinhos.
A criação da secretaria não foi discurso, nem promessa de palanque. Foi gestão. Pela primeira vez, o Entorno passou a ser tratado como parte essencial da dinâmica do DF, com ações voltadas à mobilidade, à saúde compartilhada, à segurança e ao desenvolvimento regional. Uma resposta concreta a demandas antigas, ignoradas por governos anteriores.
Enquanto alguns tentam reescrever a própria história em busca de votos, os moradores do Entorno conhecem bem a diferença entre quem aparece agora e quem agiu quando governava. A região já aprendeu que proximidade eleitoral não substitui compromisso administrativo, e que atenção verdadeira se mede por políticas públicas, não por fotografias de campanha.
No fim, o Entorno pode até estar no centro das disputas eleitorais, mas a memória coletiva segue firme: quem olha para a região o ano inteiro, e não apenas quando o voto interessa, é quem realmente merece confiança.


















