GDF inaugura Complexo de Telessaúde e inicia teleconsulta pediátrica

Por: Agência Brasília* | Edição: Paulo Soares

A saúde pública do Distrito Federal avança na modernização do cuidado infantil. Pela primeira vez, crianças passam a contar com atendimento remoto especializado dentro de uma unidade de pronto atendimento (UPA), trazendo mais agilidade, segurança e tranquilidade às famílias. Na próxima quarta-feira (21), o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do DF (IgesDF) inaugura o primeiro Complexo de Telessaúde da rede pública distrital e inicia oficialmente o serviço de Teleconsulta Pediátrica na UPA do Recanto das Emas.

A implantação ocorre em um contexto de alta demanda por atendimentos pediátricos nas unidades de urgência e representa um avanço concreto na ampliação do acesso à saúde, ao utilizar recursos digitais para qualificar o cuidado, reduzir filas e otimizar o tempo de resposta ao paciente.

Com a novidade, a UPA do Recanto das Emas torna-se a sétima unidade do Distrito Federal a contar com serviços de telessaúde entre as 13 geridas pelo IgesDF. A expansão reforça a estratégia de descentralização da assistência e consolida o uso da tecnologia como ferramenta para aumentar a resolutividade de casos de baixa complexidade, por meio de avaliações remotas realizadas por profissionais capacitados.

Para o presidente do IgesDF, a inauguração da telessaúde representa um novo modo de cuidar das pessoas no Distrito Federal. “Essa entrega é resultado de planejamento estratégico e compromisso com o Sistema Único de Saúde (SUS). Ao levar especialidades para onde o paciente está, reduzimos barreiras de acesso e construímos uma assistência mais ágil, eficiente e resolutiva para a população do Distrito Federal e entorno”, destaca.

Estrutura moderna pensada para operação contínua

O novo Complexo de Telessaúde foi concebido para acompanhar a expansão do serviço. A estrutura conta com 14 baias individuais, projetadas para assegurar privacidade, controle acústico e estabilidade tecnológica, elementos essenciais para a qualidade dos atendimentos remotos.

A arquiteta responsável pelo projeto, Maria Fernanda Garcia, explica que o espaço foi planejado para minimizar interferências visuais e sonoras. “Cada estação foi pensada para garantir concentração, confidencialidade e fluidez na comunicação por vídeo”, ressalta.

A adoção da telessaúde no DF parte do entendimento de que o cuidado remoto vai além da consulta médica, envolvendo equipes multiprofissionais e fluxos assistenciais integrados. Enquanto a teleconsulta permite o atendimento clínico direto aos pacientes nas unidades de pronto atendimento (UPAs), a teleinterconsulta conecta médicos da ponta a especialistas dos hospitais da rede IgesDF, encurtando distâncias e agilizando diagnósticos.

Para a gerente de Comando Estratégico do IgesDF, Lillian Santos, a centralização dos serviços no Complexo de Telessaúde representa um avanço na governança assistencial. “O novo modelo permite operar a teleinterconsulta com protocolos definidos, indicadores e rastreabilidade dos fluxos, qualificando a tomada de decisão e fortalecendo a resolutividade da rede”, destaca.

Entre maio de 2025 e janeiro de 2026, a teleconsulta somou 13.618 atendimentos, evidenciando crescimento contínuo e adesão da população ao modelo remoto

O planejamento do centro envolveu de forma integrada áreas assistenciais, tecnologia da informação, gestão, engenharia e comunicação institucional. O espaço centraliza a coordenação da teleconsulta, teleinterconsulta e telessuporte, fortalecendo a governança, a padronização de processos e a capacidade de expansão do serviço.

Ampliação do acesso e redução de filas nas UPAs

Entre maio de 2025 e janeiro de 2026, a teleconsulta somou 13.618 atendimentos, evidenciando crescimento contínuo e adesão da população ao modelo remoto. Nesse período, o serviço contribuiu para a redução do tempo de permanência nas unidades, o desafogamento dos atendimentos presenciais e a melhoria da experiência do usuário do SUS. O maior volume de consultas foi registrado em outubro de 2025, com 2.247 atendimentos, refletindo a consolidação do serviço na rotina assistencial.

A distribuição dos atendimentos demonstra capilaridade em diferentes regiões do DF. As unidades com maior número de consultas foram a UPA do Gama (3.555), Ceilândia II (3.463), Vicente Pires (3.433), Ceilândia (1.357), Samambaia (1.127) e São Sebastião (683). O perfil dos usuários aponta predominância do público feminino, com 8.052 atendimentos, frente a 5.566 do público masculino, além de maior concentração de pacientes entre 14 e 39 anos.

Na prática, o impacto é percebido no fluxo das unidades. Pacientes com quadros de menor complexidade passam por avaliação remota e, quando indicado, recebem alta sem a necessidade de atendimento presencial, o que reduz filas e tempo de espera.

Para o presidente do IgesDF, Cleber Monteiro, a iniciativa reflete um compromisso com inovação e cuidado centrado no paciente. “Estamos estruturando uma rede mais eficiente, que utiliza a tecnologia para ampliar o acesso, apoiar os profissionais de saúde e melhorar a experiência do cidadão”, afirma.

Diagnósticos mais rápidos e decisões clínicas mais assertivas

Reestruturada em 2025, a teleinterconsulta também tem impactado diretamente a assistência nas UPAs e hospitais do IgesDF

Reestruturada em 2025, a teleinterconsulta também tem impactado diretamente a assistência nas UPAs e hospitais do IgesDF. A modalidade possibilita que médicos acessem, em tempo oportuno, pareceres de especialistas do Hospital de Base, Hospital de Santa Maria e Hospital Cidade do Sol, evitando transferências desnecessárias e acelerando decisões clínicas.

Na especialidade de nefrologia do Hospital Cidade do Sol, por exemplo, foram realizadas 501 avaliações em apenas 57 dias, com resolução conservadora em 73% dos casos, sem necessidade de deslocamento dos pacientes. Já na hematologia, o intervalo entre a suspeita clínica e a confirmação diagnóstica foi reduzido de semanas para menos de 24 horas.

Segundo a chefe do Núcleo de Inovação e Saúde Digital, Amandha Dias, a integração das modalidades de teleassistência elevou o padrão operacional do serviço. “A consolidação do Complexo de Telessaúde permite decisões clínicas mais assertivas, reduz tempos de espera e fortalece a integração entre as unidades, garantindo que o cuidado chegue de forma mais rápida e segura a quem precisa”, explica.

*Com informações do IgesDF

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