
A poucos meses do início oficial da corrida eleitoral, o campo da esquerda no Distrito Federal parece enfrentar um problema maior do que conquistar votos: conseguir entrar em acordo entre si. A mais recente tentativa de conciliação, conduzida pelo presidente nacional do PT, Edinho Silva, evidencia que PT e PSB ainda disputam quem será o nome do grupo para enfrentar a governadora Celina Leão em 2026.
De um lado está Leandro Grass, que tenta novamente se consolidar como principal nome da esquerda no Distrito Federal após a derrota nas eleições de 2022. Do outro, o PSB insiste em Ricardo Cappelli, que busca transformar sua passagem pelo governo federal em uma plataforma para disputar o comando do DF.
O impasse chama atenção porque, enquanto discutem quem será o cabeça de chapa, ambos concentram grande parte de seus discursos em críticas à gestão de Celina Leão. No entanto, até aqui, a oposição ainda não conseguiu apresentar uma convergência capaz de unificar seu próprio grupo, muito menos um projeto comum para o Distrito Federal.
No caso de Cappelli, um dos principais questionamentos continua sendo sua ligação com Brasília. Carioca, ele construiu praticamente toda a sua trajetória política e administrativa fora do Distrito Federal, passando pelo Rio de Janeiro, Maranhão e governo federal. Agora tenta convencer o eleitor brasiliense de que conhece os desafios locais e está preparado para governar uma cidade cuja realidade política e administrativa não fez parte de sua caminhada.
Já Leandro Grass, embora tenha construído sua carreira política em Brasília, também enfrenta o desafio de ampliar seu alcance eleitoral. Depois de não conseguir convencer a maioria do eleitorado na última disputa pelo Palácio do Buriti, volta ao cenário tentando reorganizar um campo político que, até o momento, demonstra mais dificuldades em resolver disputas internas do que em apresentar propostas capazes de mobilizar a população.
Enquanto isso, a governadora Celina Leão segue administrando o Distrito Federal e acumulando entregas em áreas como saúde, segurança, mobilidade e desenvolvimento econômico, mantendo sua pré-candidatura no centro do debate político. Seus adversários parecem gastar mais energia tentando definir quem será o protagonista da oposição do que apresentando uma alternativa clara para a população.
No fim das contas, a reunião articulada por Edinho Silva deixa uma pergunta inevitável: se PT e PSB ainda não conseguem chegar a um consenso dentro da própria base, como pretendem convencer os brasilienses de que têm condições de governar juntos? Até agora, a impressão é de que a disputa pelo protagonismo fala mais alto do que a construção de um projeto para o Distrito Federal.


















