
A disputa pelo Governo do Distrito Federal ganhou um novo capítulo — desta vez com direito até a trilha sonora. Em vídeo direcionado a Celina Leão, José Roberto Arruda pediu que a adversária deixasse de atacá-lo e recorreu a um conhecido trecho musical: “deixa de lado esse baixo astral, ergue a cabeça, enfrente o mal, fazendo assim será vital para o seu coração”.
A escolha do verso, porém, abre espaço para uma interpretação política que talvez não fosse exatamente a pretendida pelo ex-governador.
Isso porque Celina tem construído sua campanha justamente em torno da defesa da continuidade do atual projeto político do Distrito Federal e do argumento de que Brasília não deve retroceder. Nesse contexto, a recomendação para “erguer a cabeça” e “enfrentar o mal” pode acabar funcionando como combustível para a própria narrativa da adversária.
E é justamente aí que a música pode ter produzido um efeito inesperado.
Ao tentar responder às críticas com bom humor, Arruda colocou no debate um verso que permite uma leitura bastante conveniente para Celina: continuar enfrentando politicamente aquilo que ela apresenta ao eleitor como uma tentativa de retorno ao passado.
A ironia fica ainda maior porque a disputa entre os dois tem se tornado cada vez mais direta. Arruda tenta se apresentar como alternativa ao atual grupo que governa Brasília, enquanto Celina busca consolidar a ideia de continuidade, experiência administrativa e avanço das ações desenvolvidas nos últimos anos.
Nesse cenário, o trecho musical escolhido pelo próprio Arruda pode ganhar outro significado no embate eleitoral.
Se a recomendação é “erguer a cabeça” e seguir enfrentando aquilo que se considera ruim para Brasília, Celina pode simplesmente responder que é exatamente isso que pretende fazer nas urnas: defender seu projeto e trabalhar para convencer o eleitorado de que o Distrito Federal não deve voltar às mãos de quem já governou a capital.
Arruda queria mandar um recado.
Acabou entregando um refrão pronto para a adversária.













