Cappelli ataca jornalista durante debate e reacende alerta sobre violência verbal contra a imprensa

Cappelli e Andreza Matais durante debate. Imagens extraídas de vídeo do Metrópoles

O episódio envolvendo a jornalista Andreza Matais durante o debate entre candidatos ao Governo do Distrito Federal, promovido pelo Metrópoles nesta quinta-feira (10), reacendeu uma discussão que ultrapassa nomes, partidos e posições políticas: os ataques direcionados a jornalistas durante o exercício da profissão.

Durante o debate, Andreza questionou o candidato Ricardo Cappelli sobre investigações relacionadas a um suposto uso da máquina pública para promoção de sua imagem. Ao responder, Cappelli direcionou críticas à trajetória profissional da jornalista e fez afirmações sobre sua saída do jornal O Estado de S. Paulo, relacionando-a ao episódio que ficou conhecido como “dama do tráfico”.

A situação levou a própria mediação a intervir. A apresentadora ressaltou a trajetória profissional de Andreza, afirmou que a jornalista havia apresentado dados e fatos em seu questionamento e pediu que o candidato utilizasse o tempo para responder à pergunta feita.

O episódio levanta uma questão importante para quem vive diariamente o jornalismo: perguntas incômodas fazem parte da profissão. Jornalistas não estão acima de críticas e também devem responder por eventuais erros. Mas existe uma diferença entre contestar uma informação, apresentar outra versão dos fatos e direcionar a reação para quem formulou a pergunta.

Depois do ocorrido, Celina Leão manifestou solidariedade à jornalista e afirmou nas redes sociais: “Eu também já fui alvo de ataques e sei o quanto isso é grave. Chama atenção que sejam sempre mulheres. Isso não pode ser tratado como acaso”.

Independentemente de quem esteja no centro da entrevista — situação ou oposição, esquerda ou direita —, o papel do jornalista é perguntar. E, principalmente durante uma eleição, perguntas difíceis são ainda mais necessárias.

Quando a resposta deixa o conteúdo da pergunta e passa a mirar o profissional que a fez, quem perde não é apenas o jornalista. Perde também o eleitor, que esperava ouvir a resposta.

O jornalismo não precisa de concordância. Precisa de liberdade para perguntar.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *