
A governadora do Distrito Federal e candidata à reeleição, Celina Leão (PP), reagiu na noite desta quarta-feira (16) às declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a crise do Banco de Brasília (BRB). Em publicação nas redes sociais, Celina acusou Lula de agir de forma partidária e afirmou que o presidente “quer quebrar o BRB”.
A manifestação ocorreu após Lula participar de um ato eleitoral em Ceilândia. Durante o evento, o presidente criticou Celina, atribuiu a crise do BRB à relação da gestão anterior com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e afirmou que o governo federal não colocará dinheiro para socorrer o banco.
Celina respondeu poucas horas depois. “Lamento a declaração de um presidente da República que quer quebrar o BRB”, escreveu. A governadora também afirmou que Lula estaria agindo “como presidente de um partido” e criticou a posição do governo federal em relação ao aval necessário para a operação de crédito buscada pelo Distrito Federal.
Segundo Celina, o GDF não está pedindo que a União transfira recursos diretamente ao BRB, mas que conceda garantia para uma operação de crédito destinada ao banco. Durante sabatina no SBT Brasília nesta quarta-feira, ela voltou a defender a preservação da instituição e afirmou que o BRB pertence à população do Distrito Federal.
Celina sustenta que era contra a compra do Master
O confronto ocorre em meio à repercussão das mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro que mencionam Celina. A governadora sustenta que não participou das negociações para a tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB e afirma que sua posição contrária ao negócio é anterior às atuais investigações e à campanha eleitoral.
Em abril de 2025, quando ainda era vice-governadora, Celina declarou publicamente que não havia sido consultada sobre a operação e que soube da negociação pela imprensa. Nesta semana, após a divulgação das mensagens, ela voltou a negar participação e afirmou nunca ter mantido contato direto ou trocado mensagens com Vorcaro.
As mensagens que vieram a público registram uma conversa de 5 de abril de 2025 entre Vorcaro e o publicitário Thiago Miranda. No diálogo, Miranda afirma que Celina havia ficado de fora da operação. Vorcaro contesta essa avaliação, dizendo que ela “não ficou de fora”, e atribui a postura da então vice-governadora a uma tentativa de preservação política.
Em outro trecho divulgado, Vorcaro reclama da posição adotada por Celina em relação ao negócio, fala em “descredibilização” dele e do Banco Master e afirma que a situação precisava ser combatida. O material publicado registra a divergência entre Vorcaro e Miranda, mas não apresenta, naquele diálogo, uma conversa direta entre Vorcaro e Celina.
Defesa de Thiago Miranda se manifesta
Após a divulgação das mensagens, a defesa de Thiago Miranda, justamente o interlocutor de Vorcaro na conversa, também se pronunciou.
Segundo manifestação da defesa reproduzida pela imprensa, pelo conhecimento de Miranda, Celina não participou da negociação envolvendo a aquisição do Banco Master pelo BRB. Os advogados também sustentaram que mensagens privadas analisadas de forma isolada podem produzir interpretações que não correspondem ao contexto completo da conversa.
A manifestação da defesa coincide com a posição expressada pelo próprio Miranda na mensagem de abril de 2025, quando afirmou a Vorcaro que Celina havia ficado de fora da operação. Vorcaro apresentou versão diferente naquele mesmo diálogo.
Celina, por sua vez, usa a sequência das mensagens para sustentar sua versão de que se posicionava contra o negócio. Durante a sabatina desta quarta-feira, a governadora voltou a afirmar que nunca teve contato com Vorcaro e argumentou que, caso existisse uma relação entre os dois, o ex-banqueiro poderia ter tratado diretamente com ela, em vez de discutir sua posição com um terceiro.
BRB entra no centro do confronto entre Lula e Celina
Com as declarações desta quarta-feira, a situação do BRB ganhou ainda mais espaço na disputa eleitoral do Distrito Federal.
Lula atribui responsabilidade política pela crise à condução anterior do banco e rejeita a ideia de utilização de recursos federais para socorrer o BRB. Celina contesta essa interpretação, afirma que o pedido do Distrito Federal envolve aval para uma operação de crédito e acusa o presidente de transformar a situação do banco em disputa partidária.
No texto publicado nas redes sociais, a governadora ainda comparou a posição do governo federal em relação ao BRB com medidas destinadas aos Correios e afirmou que o banco emprega cerca de seis mil pessoas e participa de programas sociais no Distrito Federal.
Enquanto o confronto político aumenta, as operações realizadas entre BRB e Banco Master continuam sob investigação e escrutínio dos órgãos de controle. As declarações de Celina, de Vorcaro e da defesa de Thiago Miranda apresentam versões sobre a participação da governadora nas negociações, enquanto as apurações seguem em andamento.
Assim, a disputa desta quarta-feira acrescenta um novo capítulo ao caso: de um lado, Lula responsabiliza politicamente a administração do Distrito Federal pela situação do BRB; do outro, Celina sustenta que se posicionou contra a compra do Master desde 2025 e cita as próprias mensagens divulgadas e a manifestação da defesa de Miranda para contestar as acusações de participação no negócio.













