
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, assume o comando do Palácio do Buriti em um dos momentos mais sensíveis e, ao mesmo tempo, mais reveladores, de sua trajetória política.
E não é apenas pela responsabilidade administrativa.
É pelo ambiente que se forma ao redor.
À medida que seu nome se fortalece para as próximas eleições, cresce também um movimento que já não pode mais ser tratado como simples oposição política. O que se vê é algo mais profundo — e mais preocupante.
Os ataques deixaram de ser apenas políticos.
Passaram a ser pessoais. E, em muitos casos, carregados de um tom que escancara um velho problema: o incômodo de parte da política com uma mulher ocupando espaço de poder.
Nos bastidores, nomes como José Roberto Arruda e Gim Argello voltam a circular no debate público. Figuras conhecidas do eleitorado — não exatamente por boas lembranças — que, sem conseguir ocupar espaço pelo discurso ou por propostas, parecem apostar no desgaste da imagem de quem hoje cresce.
E o alvo é claro.
Uma mulher que avança.
Os episódios recentes mostram bem esse cenário.
Primeiro, críticas e ironias por Celina participar de eventos populares, cantar, dançar, se conectar com as pessoas. Como se isso fosse um problema — quando, na verdade, revela proximidade com a população.
Depois, a tentativa de criar uma narrativa falsa de vaias no Ginásio Nilson Nelson. Quem esteve presente viu o contrário: aplausos, participação popular e um ambiente de acolhimento.
Mas, nas redes, a versão distorcida correu solta.
E não parou por aí.
A mais recente ofensiva foi ainda mais grave.
Em meio às investigações conduzidas pela Polícia Federal envolvendo o ex-presidente do BRB, surgiu uma tentativa clara de arrastar o nome da governadora para o centro de um escândalo ao qual ela não está ligada.
Preso preventivamente sob acusação de envolvimento em fraudes bilionárias, o ex-gestor passou a ser utilizado como peça de uma narrativa conveniente para quem tenta reduzir danos — e, ao mesmo tempo, gerar instabilidade política.
A fake news mais recente ganhou espaço na coluna de Lauro Jardim, no jornal O Globo, sugerindo que uma possível delação atingiria diretamente Celina Leão.
Mas o fato é simples: não há delação homologada.
O que existe são tratativas iniciais, ainda sem validação judicial.
E, ainda assim, a tentativa de associação foi feita.
Nos bastidores, a leitura é clara: transformar especulação em pressão política.
O caso envolve o empresário Daniel Vorcaro e investigações sobre operações entre o Banco Master e o BRB, com suspeitas de pagamentos ilícitos que chegariam a valores milionários em imóveis.
Diante disso, a postura da governadora tem sido objetiva.
Sem rodeios.
Sem hesitação.
Celina deixou claro que o banco foi vítima, buscou apoio técnico junto à União para evitar impactos maiores e tomou uma decisão dura: a demissão do então presidente envolvido no caso.
Mais do que discurso, ação.
Mais do que narrativa, responsabilidade.
E é exatamente nesse ponto que o contraste aparece.
De um lado, uma gestão tentando conter danos, proteger o patrimônio público e garantir estabilidade.
Do outro, movimentos que apostam na desinformação como ferramenta política.
Aliados da governadora são diretos ao avaliar o cenário: sem conseguir enfrentar no campo da gestão, parte da oposição tenta deslocar o debate para o terreno mais fácil — o da imagem, da narrativa e da confusão.
E, nesse processo, um elemento chama ainda mais atenção.
O papel de determinados setores da comunicação.
Em um momento em que tanto se fala sobre protagonismo feminino, soa contraditório — para não dizer incoerente — ver espaços sendo utilizados para amplificar conteúdos que fragilizam justamente uma mulher em posição de liderança.
A reflexão é inevitável.
Não se trata apenas de política.
Se trata de coerência.
Se trata de responsabilidade.
E, acima de tudo, de respeito.
Porque o que está em jogo vai além de uma disputa eleitoral.
É sobre até onde vale ir para tentar vencer.
E sobre quem, de fato, está disposto a construir — ou apenas destruir.
No fim das contas, fica o questionamento que ecoa, principalmente entre as mulheres do Distrito Federal:
se não agora, quando?
E se não por ela… por quem?
Jornalista: Aparecida Frausino


















