
Na coluna de hoje do “Pode isso, Chefe?”, a dúvida é clássica e sempre reaparece no início do ano: afinal, a empresa é obrigada a conceder folga no Carnaval? A resposta curta é: não necessariamente. Mas, como quase tudo no Direito do Trabalho, depende de alguns fatores importantes previstos na CLT e em normas coletivas.
O Carnaval não é considerado feriado nacional pela legislação federal. Diferente de datas como 7 de Setembro ou 1º de Maio, a terça-feira de Carnaval só será feriado se houver lei estadual ou municipal que assim determine. Em muitas cidades brasileiras, existe legislação local decretando feriado — mas em outras, não. Quando não há lei, a data costuma ser tratada como ponto facultativo, especialmente no setor público, o que não obriga empresas privadas a dispensarem seus colaboradores.
Pela CLT, não existe dispositivo que imponha folga no Carnaval. Assim, a empresa pode exigir trabalho normal nesses dias. Caso o colaborador falte sem acordo prévio, a ausência pode ser considerada falta injustificada, com possibilidade de desconto salarial e reflexos em descanso semanal remunerado. Por outro lado, muitas organizações optam por liberar seus times por liberalidade, seja concedendo folga, seja adotando banco de horas ou compensação posterior — práticas permitidas desde que formalizadas.
Outro ponto essencial é observar a Convenção ou Acordo Coletivo da categoria. Alguns sindicatos negociam cláusulas específicas prevendo folga, jornada reduzida ou compensação no período de Carnaval. Nesses casos, a empresa é obrigada a cumprir o que foi pactuado coletivamente. O mesmo vale para políticas internas já instituídas: se a folga virou prática recorrente e formal, é preciso cautela para mudanças.
Vale lembrar ainda que a Quarta-feira de Cinzas também não é feriado nacional. Muitas empresas funcionam normalmente ou apenas em meio período por costume, não por obrigação legal.
Em suma, o empregador só é obrigado a conceder folga no Carnaval quando houver lei local ou previsão em norma coletiva. Na ausência disso, o trabalho pode ocorrer normalmente, cabendo à empresa decidir — com planejamento e comunicação prévia — se haverá liberação, compensação ou expediente regular.
Informação e alinhamento evitam conflitos e garantem um Carnaval mais tranquilo para todos, dentro e fora da empresa.
Por: Benigna Cabral


















