
Muita gente acredita que o vale-alimentação ou o vale-refeição são direitos garantidos a todos os trabalhadores pela CLT. Mas… será que o empregador é realmente obrigado a conceder esse benefício?
A resposta é: não necessariamente.
A CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) não obriga o empregador a fornecer vale-alimentação ou vale-refeição. Esses benefícios não estão previstos como direito trabalhista obrigatório, como o são, por exemplo, o 13º salário, o FGTS ou as férias.
Contudo, há situações específicas em que o benefício passa a ser obrigatório, e é aí que muitos empregadores e empregados se confundem:
- Quando há previsão em convenção ou acordo coletivo da categoria
Nesse caso, o empregador deve cumprir o que foi acordado entre o sindicato dos trabalhadores e o sindicato patronal. O descumprimento pode gerar passivo trabalhista e ser alvo de ações judiciais. - Quando o benefício é concedido de forma habitual
Se o vale-alimentação ou refeição é oferecido de maneira contínua e regular, ele pode ser entendido como vantagem incorporada ao contrato de trabalho, e a empresa não pode simplesmente retirar o benefício sem justificativa plausível. - Quando o empregador é inscrito no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT)
O Decreto nº 10.854/2021 e a Lei nº 6.321/1976 regulamentam o PAT, que incentiva as empresas a oferecer alimentação saudável aos funcionários, com incentivos fiscais. Nesse caso, o fornecimento segue regras próprias e deve respeitar limites e finalidades definidos por lei.
O TST (Tribunal Superior do Trabalho) entende que o vale-alimentação não tem natureza salarial quando fornecido em decorrência de adesão ao PAT. Porém, se concedido fora desse programa e sem previsão em norma coletiva, pode ser interpretado como parte do salário, impactando no cálculo de férias, 13º e outras verbas.
Em resumo, o vale-alimentação/refeição não é obrigatório por lei, mas torna-se devido se estiver previsto em acordo coletivo, contrato ou se for concedido de forma habitual.
Pode isso, Chefe?
Pode sim — desde que não haja acordo ou prática que o torne obrigatório.
O vale-alimentação e o vale-refeição são exemplos de benefícios que nasceram mais da política de valorização e incentivo à qualidade de vida do que da imposição legal.
Para o empregador, representam um investimento no bem-estar e produtividade da equipe. Para o trabalhador, uma demonstração de reconhecimento que faz diferença no orçamento e no dia a dia.
Assim, ainda que não sejam obrigatórios em todos os casos, oferecer esse tipo de benefício se tornou um diferencial competitivo — tanto para reter talentos, quanto para construir relações de trabalho mais humanas e sustentáveis.


















