Caso Master: cronologia sustenta versão de Celina de que não participou da negociação

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Declarações públicas feitas desde 2025, antes do avanço das investigações sobre o Banco Master, ajudam a reconstruir a posição da governadora do Distrito Federal, Celina Leão, sobre a tentativa de compra da instituição pelo BRB. A sequência de fatos mostra que, desde o início, Celina afirmava não ter sido consultada sobre a negociação.

O assunto voltou ao centro do debate nesta terça-feira (15), após a divulgação de mensagens em que Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, afirmou a um terceiro que Celina “não ficou de fora” da negociação. O diálogo, porém, ocorreu entre Vorcaro e o publicitário Thiago Miranda. No material publicado, não são apresentadas conversas diretas entre Vorcaro e Celina nem é descrita qual teria sido uma eventual atuação dela no negócio.

Veja a cronologia:

Abril de 2025 — Celina diz que não foi consultada

KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES

Em 6 de abril de 2025, quando ainda era vice-governadora do Distrito Federal, Celina já declarava publicamente que não havia participado das discussões sobre a compra.

“Não tenho conhecimento sobre a operação, não fui consultada, fiquei sabendo pela imprensa”, afirmou à época.

A declaração ocorreu meses antes de a crise envolvendo BRB e Master avançar para as investigações que posteriormente ganharam repercussão nacional.

Março de 2026 — Celina assume o GDF e volta a negar participação

Transmissão de Cargo do Governador à Vice-governadora do Distrito Federal Foto: Felipe Ando/Agência CLDF

Ao assumir o Governo do Distrito Federal, em 30 de março de 2026, Celina voltou ao assunto e declarou que não havia participado das decisões relacionadas às operações investigadas.

“Deixo claro que não participei de nenhuma decisão, sequer fui consultada sobre o assunto”, afirmou durante a posse.

Na ocasião, a governadora também defendeu que as investigações avançassem e prometeu transparência na apuração do caso.

Abril de 2026 — governo determina afastamentos no BRB

Foto: Kebec Nogueira/ Metrópoles

Poucos dias depois de assumir o governo, Celina determinou o afastamento de funcionários do BRB envolvidos na aprovação de operações com ativos do Banco Master.

As medidas foram adotadas no contexto de uma auditoria independente destinada a identificar responsabilidades nas operações investigadas.

Agosto de 2026 — Celina volta a negar vínculo com Vorcaro

vídeos divulgação CNN Brasil

Em entrevista à CNN, Celina voltou a afirmar que havia sido contrária à compra do Master e destacou que não aparecia nos registros atribuídos a Daniel Vorcaro.

“Meu nome não consta nem no celular do Vorcaro”, declarou.

Em outra entrevista, ao SBT News, a governadora afirmou que não havia sido consultada sobre a operação e que considerava inadequada a possibilidade de o BRB comprar um banco privado.

15 de setembro — mensagens de Vorcaro vêm a público

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Nesta terça-feira (15), mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro trouxeram novamente o nome de Celina para o centro do caso.

Na conversa, de 5 de abril de 2025, o publicitário Thiago Miranda encaminha a Vorcaro uma reportagem que tratava justamente da posição de Celina de que teria ficado fora das negociações.

Vorcaro responde dizendo que ela “não ficou de fora” e atribui a postura da então vice-governadora a uma tentativa de preservação política.

Apesar da afirmação do ex-banqueiro, o material divulgado não apresenta conversa direta entre Celina e Vorcaro nem detalha qual teria sido a participação atribuída a ela na negociação.

Celina reage e contesta interpretação

Após a repercussão, Celina publicou um vídeo para rebater a versão de que teria participado da negociação.

A governadora reafirmou que nunca manteve contato com Vorcaro e sustentou que a divulgação das mensagens não apresentou todo o contexto das conversas. Segundo Celina, outros trechos mostrariam incômodo com a posição que ela adotava em relação ao Banco Master.

A governadora também relacionou a divulgação do episódio ao atual período eleitoral. Essa avaliação é uma interpretação apresentada por Celina e não está comprovada pelas mensagens divulgadas até o momento.

O que a cronologia mostra

As mensagens reveladas nesta terça-feira registram uma afirmação de Vorcaro sobre Celina feita a um terceiro. Por outro lado, declarações públicas mostram que, já em abril de 2025, Celina dizia que não havia sido consultada sobre a compra e que soube da operação pela imprensa.

A cronologia, portanto, demonstra que a negativa apresentada agora pela governadora não surgiu após a divulgação das novas mensagens: sua versão de que não participou da negociação já era manifestada publicamente desde o início da discussão sobre a compra do Banco Master.

Até o momento, o material divulgado das conversas de Vorcaro não apresenta diálogo direto entre ele e Celina nem demonstra, por si só, qual teria sido uma eventual participação da governadora na negociação.

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