
Nas redes sociais, Arruda faz questão de repetir diariamente que está “ON”. Mas, quando o assunto é disputar as próximas eleições, a realidade é outra: para a Justiça Eleitoral, ele segue “OFF”, diante de sua atual situação jurídica, que o impede de disputar o pleito.
Afinal, estar “ON” nas redes sociais é uma coisa. Estar apto para receber novamente o voto da população é outra bem diferente.
O ex-governador José Roberto Arruda voltou a movimentar o cenário político do Distrito Federal ao publicar, em suas redes sociais, críticas ao que chamou de “desvios” e à chamada “Crise Master”. Em outra publicação recente, também comentou sobre o Metrô-DF, defendendo melhorias e uma gestão mais eficiente para o sistema.
As declarações reacendem um debate inevitável: qual é o peso do histórico político de quem hoje se apresenta como crítico da administração pública?
Arruda segue participando do debate político por meio das redes sociais, onde tem repetido diariamente que está “ON”. No entanto, para muitos brasilienses, existe uma diferença entre estar ativo nas redes e a lembrança deixada por sua trajetória política.
O histórico é conhecido.
Em 2001, Arruda renunciou ao mandato de senador em meio ao escândalo da violação do painel eletrônico do Senado, evitando um processo de cassação. Em seguida, voltou à vida pública, foi eleito governador do Distrito Federal em 2006, mas também não concluiu esse mandato. Em 2010, deixou o Palácio do Buriti após o desdobramento da Operação Caixa de Pandora, um dos maiores escândalos políticos da história do Distrito Federal.
Mais do que os episódios judiciais, um fato chama atenção: Arruda acumulou mandatos interrompidos ao longo de sua trajetória política. Essa sequência faz parte da memória do eleitor brasiliense e volta ao debate sempre que o ex-governador reaparece como protagonista da cena política.
As críticas recentes ao Metrô também despertam questionamentos. Afinal, o sistema enfrentou inúmeros desafios ao longo dos anos, inclusive durante sua gestão. Diante disso, muitos eleitores perguntam por que propostas apresentadas agora não foram colocadas em prática quando ele ocupava o cargo de governador.
Outro ponto que chama atenção é o discurso recorrente sobre a necessidade de “renovar a gestão”. Se renovar é realmente o caminho, muitos defendem que essa renovação também passa por permitir que novas lideranças conduzam o Distrito Federal. Nesse contexto, a governadora Celina Leão representa uma nova fase da administração pública local.
Na política, críticas fazem parte da democracia. Mas a memória do eleitor também. E, no Distrito Federal, ela costuma lembrar que coerência entre discurso, trajetória e resultados pesa tanto quanto qualquer publicação nas redes sociais.
Jornalista: Cida Frausino


















