Críticas a uniforme das atletas brasileiras afronta evangélicos

Foto: Divulgação/COB

Além do preconceito, os críticos demostraram desconhecer o impacto da moda evangélica no mercado brasileiro  

Por Patricia Scott

Nessas Olimpíadas de Paris 2024, uma polêmica tem dominado as redes sociais: o uniforme das atletas da delegação brasileira. Assinado pela fast fashion Riachuelo, o modelo virou alvo de muitas críticas, inclusive com comparações às roupas das mulheres crentes.

“Péssimo gosto. Não gostei”, disparou Márcia Fu, ex-jogadora de vôlei e medalhista de bronze em Atlanta 1996, no Canal da Fu!, no YouTube, que acrescentou: “O que é isso aqui? Isso é do Brasil? Como assim? Gente, isso não é do Brasil, não, estão mentindo. Esse negocinho jeans […] Que blusa é essa aqui embaixo? Bem de crente. Ai, desculpe, eu não podia ter falado, mas eu falei”.

Já o blogueiro Helder, do canal Galãs Feios, alcançou 115 mil visualizações no YouTube com a postagem: “A proposta da Riachuelo era acenar para a fatia evangélica da população, em específico crentes de classe média baixa e pobres, já que, atualmente, os mais ricos vão aos cultos como se estivessem participando de um desfile da Fashion Week – porém combinando da forma mais horrenda as peças de grife”. 

– Continua após a publicidade –

Eles estavam se referindo à saia midi, camiseta amarela listrada, jaqueta jeans e chinelos de uma marca famosa brasileira. Cabe destacar que as onças, as araras e os tucanos bordados atrás das jaquetas foram feitos por bordadeiras do Rio Grande do Norte.

Todo o processo de desenvolvimento do uniforme levou cerca de dois anos. Ele contou com a colaboração de mais de 500 famílias que participaram da criação, modelagem, corte, costura, bordado e controle de qualidade.

“As bordadeiras de Timbaúba dos Batistas e costureiras do Pró-Sertão, são as grandes protagonistas dessa história. Seus trabalhos refletem a tradição e habilidade artesanal do Brasil. Desenvolvido por muitas mãos, o projeto também foi ancorado no próprio propósito das Olimpíadas de Paris – valorizar a sustentabilidade e celebrar a primeira competição com equidade de gênero na história”, disse Cathyelle Schroeder, chefe de Marketing da Riachuelo, em entrevista ao Terra Você. 

Feminina e decente

Para a consultora de moda Karla Furlan, o uniforme das atletas demonstra uma mulher feminina e decente. “Não só a simplicidade, mas, talvez, o excesso de decência e feminilidade tenha incomodado as pessoas que estão acostumadas a mostrar tanto o corpo”.

Ao contrário do que muitos pensam, diz Karla, a moda cristã tem sido referência. Isso porque mulheres têm usado roupas fortes e autênticas com tecidos nobres e empoderados.

“É uma pena que ainda comparem o vestuário cristão a roupas bregas e cafonas”, comenta Karla e continua: “Temos a referência, sim, de cobrir o corpo e não mostrar, fazendo da decência uma obediência às Escrituras. No entanto, também temos a feminilidade como uma forma daquilo que somos e cremos”.

Não é exagero afirmar que as mulheres cristãs têm se tornado referência no Brasil pela vestimenta linda, expressiva, estilosa e moderna. Tanto que, segundo a Associação de Empresas e Profissionais Evangélicos do Brasil (Abrepe), o mercado consumidor evangélico represente R$ 21,5 bilhões por ano no mercado varejista em geral – que movimenta R$ 1,4 trilhão, anualmente. E pesquisas do Sebrae mostram que 10% do mercado consumidor de moda evangélica é formado também por mulheres não evangélicas.

Preconceito da sociedade 

Na visão da pastora Eristelia Bernardo, comparar o uniforme das atletas brasileiras nas Olimpíadas de uma maneira depreciativa às vestimentas das mulheres crentes reflete mais uma forma de preconceito. “De uma maneira geral, a sociedade sempre tem um olhar negativo para os evangélicos”.

No entanto, Eristelia pondera que, na verdade, a moda evangélica tem crescido e ganhado cada vez mais espaço, tendo em vista a qualidade das roupas e os padrões modernos. “Homens e mulheres se vestem de maneira bacana, sem vulgaridades”, observa a pastora da Igreja Casa do Pai, em Governador Valadares (MG). 

Ela considera que as pessoas precisam entender que o cristão preza pela moderação, o que incluía a escolha da vestimenta. “A Bíblia orienta a nos vestirmos de uma forma equilibrada, o que faz parte do caráter cristão, da visão bíblica”, pontua Eristelia e conclui: “Então, ser cristão não é ser cafona, mas prezar pelo estilo de vida ensinado nas Escrituras, o que inclui a maneira de vestir-se [1 Timóteo 2.9-10]”.

Fonte:comunhao.com.br

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Mais lidas

Mecânica Marquinhos
Villa Florença
Clínica de motorista Avante
Fagner Empreendimentos
Vive La Fete Festas

Minas Gerais

Dicas da semana

Linhas de ônibus na sua cidade

Associação Brasileira de Portais de Notícias