Longe do debate local, Arruda recorre a portal de celebridades para defender retorno político, mas permanece inelegível

O ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, reapareceu em entrevista ao portal do jornalista Léo Dias, defendendo a própria trajetória e afirmando estar com a “ficha 100% limpa”.

A declaração, porém, contrasta com sua condição jurídica atual. Arruda permanece inelegível com base nas restrições impostas pela Lei da Ficha Limpa, um fato objetivo que coloca em xeque o discurso de plena aptidão eleitoral apresentado na entrevista.

Durante a conversa, o ex-governador admitiu ter recebido dinheiro em espécie no episódio que marcou sua queda, classificando o ato como “ingenuidade”. Ao mesmo tempo, adotou um discurso de vitimização, alegando perseguição, humilhação pública e injustiça ao longo dos últimos 15 anos.

A comparação com o BRB

Em um dos trechos mais controversos da entrevista, Arruda mencionou o episódio envolvendo o BRB e o Banco Master como forma de relativizar o escândalo que marcou sua saída do governo. Ao citar valores bilionários, sugeriu que o caso que o afastou da política teria sido tratado de maneira desproporcional.

A comparação, no entanto, ignora um ponto central: o próprio Arruda foi protagonista de uma crise que abalou institucionalmente o Distrito Federal, culminando em sua prisão enquanto exercia o mandato de governador. Ao trazer outros episódios para o debate, o ex-governador parece tentar deslocar o foco da memória coletiva que marcou sua trajetória política.

Discurso versus realidade

A entrevista também evidencia uma estratégia de reconstrução de imagem fora do ambiente político local. Ao optar por um portal nacional voltado ao entretenimento, Arruda evita o confronto direto com o cenário brasiliense, onde os fatos de 2009 ainda são amplamente lembrados.

Quinze anos depois, o discurso de “consciência limpa” enfrenta dois obstáculos concretos: a legislação eleitoral vigente e a memória histórica do Distrito Federal. Em política, não basta recontar a própria versão — é preciso enfrentar a realidade jurídica e os fatos que marcaram uma geração inteira de eleitores.

“Comparações não reescrevem a história. E declarações públicas não alteram o que está nos autos nem o que permanece na memória do eleitor.”

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Mais lidas

Mecânica Marquinhos
Villa Florença
Clínica de motorista Avante
Fagner Empreendimentos
Vive La Fete Festas

Minas Gerais

Dicas da semana

Linhas de ônibus na sua cidade

Associação Brasileira de Portais de Notícias