Por Cida Frausino

Uma mulher de 43 anos, identificada como Aldecina Albuquerque, foi morta a facadas no distrito de Lázaro, zona rural do município de Boa Viagem, no Ceará, na tarde de domingo (22).
Ela não morreu.
Foi morta.
Segundo testemunhas, Aldecina trafegava de motocicleta quando passou a ser perseguida pelo ex-companheiro, que também estava em uma moto. Em determinado momento, o homem conseguiu forçá-la a parar na estrada.
A vítima ainda tentou fugir correndo, mas foi alcançada e atingida por diversos golpes de faca. Aldecina morreu no local, em via pública.
Após o crime, o suspeito fugiu.
A Polícia Civil informou que o corpo foi localizado em via pública com lesões decorrentes de objeto perfurocortante.
Confissão em áudio
Áudios que passaram a circular nas redes sociais revelam a frieza do crime. O suspeito, identificado como Francisco de Assis Ferreira da Cruz, também de 43 anos, teria confessado o assassinato à filha da vítima.
Em uma das gravações, ele afirma:
“Matei sua mãe, Bia.”
A frase, que ecoa com brutalidade, revela não apenas a autoria, mas a naturalização da violência que marca tantos casos de feminicídio no Brasil.
Prisão
De acordo com a Polícia Militar, Francisco foi preso ainda no domingo. A corporação recebeu informações de que ele estaria escondido na própria residência.
Ao chegarem ao local, familiares informaram que ele havia fugido para uma área de mata nas proximidades. Após buscas na região, os policiais localizaram o suspeito no matagal.
Segundo a PM, ele confessou o crime aos agentes e alegou ter agido por ciúmes. O celular da vítima foi apreendido com ele.
Após a prisão, o homem foi encaminhado à Delegacia Regional de Crateús, onde foi autuado por feminicídio.
Aldecina foi morta em via pública, perseguida pelo ex-companheiro.
Mais um caso em que a separação não significou segurança.
Mais um crime motivado por ciúmes e sentimento de posse.
Mais uma mulher que tentou seguir a vida e foi impedida pela violência.
Aldecina tinha 43 anos.
Não é apenas mais um boletim policial.
É mais uma mulher assassinada por alguém que não aceitou o fim.
Aldecina não morreu.
Foi morta.


















