
O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, afirmou que a instituição já iniciou a fase operacional para viabilizar a capitalização autorizada pela Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). A declaração foi feita durante entrevista ao DFTV 1 nesta quarta-feira (4).
Segundo ele, mesmo diante do momento desafiador, o banco possui estrutura e planejamento para superar a fase atual e seguir fortalecido.
A manifestação ocorre um dia após a aprovação do Projeto de Lei nº 2.175/2026 no plenário da Câmara Legislativa, por 14 votos favoráveis e 10 contrários. A proposta autoriza o Governo do Distrito Federal a utilizar nove terrenos públicos como garantia em operações financeiras destinadas ao reforço de capital do banco.
De acordo com Nelson de Souza, o BRB já iniciou conversas com investidores qualificados para estruturar a engenharia financeira que permitirá viabilizar o aporte. Entre as alternativas analisadas, a principal envolve a criação de um fundo de investimento imobiliário com os ativos autorizados.
“A opção que melhor se coaduna com o aumento do BRB é pegar esses imóveis e colocar dentro de um fundo de investimento imobiliário e vender as cotas para investidores qualificados”, afirmou o presidente da instituição.
Estrutura em andamento
O presidente também explicou que a modelagem da operação já está em andamento e possui prazo definido para conclusão. Para isso, o banco convocou uma Assembleia Geral Extraordinária marcada para o dia 18 de março, quando a estrutura da operação deverá estar finalizada.
“Dá tempo. Foi por isso que nós fizemos o chamamento da Assembleia Geral Extraordinária, com antecedência, para que no dia 18 nós possamos ter tudo isso já resolvido”, disse.
Segundo ele, o desenho da operação foi pensado para evitar impacto fiscal direto ao governo e, ao mesmo tempo, permitir que os ativos envolvidos possam gerar rentabilidade dentro da estrutura financeira planejada.
Indicadores financeiros
Durante a entrevista, Nelson de Souza destacou que a capitalização prevista, que pode chegar a R$ 6,6 bilhões, foi calculada para recompor os principais indicadores prudenciais do banco, especialmente o índice de Basileia — um dos parâmetros utilizados pelo sistema financeiro para medir a solidez das instituições.
“Com essa capitalização de 6,6 bilhões, nós vamos ficar com todos os indicadores saudáveis”, afirmou.
Cenário extremo descartado
O presidente também comentou estimativas relacionadas a um cenário extremo de liquidação da instituição, hipótese que ele descartou durante a entrevista. Segundo Nelson de Souza, caso uma situação desse tipo ocorresse, o custo para o Fundo Garantidor de Créditos poderia variar entre R$ 20 bilhões e R$ 25 bilhões.
“Isso não vai acontecer, porque o banco é sólido”, declarou.
Próxima etapa
Com a aprovação do projeto pela CLDF, o banco entra agora na fase de estruturação financeira e captação de recursos junto ao mercado. A expectativa é que a operação permita preservar a capacidade de crédito da instituição e manter o papel do BRB como agente importante no financiamento da economia local.
“Nós vamos continuar crescendo, não de maneira desordenada, mas dentro das possibilidades da solidez que o banco tem”, concluiu Nelson de Souza.
A expectativa do governo do Distrito Federal e do mercado regional é que, concluída a operação, o BRB saia do momento atual com sua estrutura de capital fortalecida e com condições de continuar ampliando suas operações de crédito e investimento no Distrito Federal.


















