
A fala do pré-candidato Ricardo Cappelli (PSB) sobre a necessidade de uma “frente ampla” no DF levanta um questionamento inevitável: quando falta força no próprio grupo, recorrer aos antigos adversários vira solução?
É exatamente esse movimento que começa a ser desenhado pelo presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI). Ligado historicamente à esquerda, Cappelli agora defende abertamente a construção de alianças que incluem setores do centro e até da centro-direita.
A declaração, feita durante evento político no último fim de semana, evidencia uma tentativa de ampliar o campo de apoio diante de um cenário onde a esquerda, sozinha, encontra dificuldades para se viabilizar eleitoralmente no Distrito Federal.
Na prática, o discurso de “frente ampla” surge menos como novidade e mais como necessidade. Ao reconhecer que seu campo político não é suficiente para garantir competitividade, Cappelli passa a buscar apoio justamente fora da sua base tradicional.
O movimento é legítimo dentro do jogo democrático. Mas, no ambiente político, mudanças de rota costumam ser observadas com atenção — principalmente quando ocorrem em meio à disputa por espaço e viabilidade eleitoral.
E essa leitura ganha ainda mais peso quando se observa o histórico de aliados próximos, como o ex-governador Rodrigo Rollemberg, cuja gestão é, para muitos brasilienses, marcada por críticas e pela percepção de poucos avanços concretos na cidade. Nesse cenário, a busca por novos apoios pode parecer menos estratégia e mais uma tentativa de compensar fragilidades já conhecidas do grupo político.


















