
Há um ano, o Distrito Federal dava início a uma experiência considerada pioneira na saúde pública do país: a implantação do serviço de teleconsulta dentro das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). Desde então, a iniciativa vem ampliando o acesso da população ao atendimento médico e ajudando a desafogar as unidades de urgência administradas pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal.
O projeto começou em maio de 2025, na UPA de Vicente Pires, e atualmente já está presente em todas as unidades geridas pelo instituto. Em um ano de funcionamento, o serviço contabilizou 23.477 atendimentos realizados, sendo que apenas uma pequena parcela precisou ser encaminhada posteriormente para avaliação presencial.
A proposta foi criada para atender pacientes classificados com quadros de menor gravidade, permitindo que os profissionais que atuam presencialmente concentrem esforços em situações mais complexas e urgentes. O reflexo dessa estratégia também pode ser percebido no crescimento da procura pelo serviço. Enquanto nos primeiros meses a média mensal era inferior a 500 atendimentos, atualmente o número ultrapassa 2,8 mil consultas por mês.
Além das consultas médicas, a telemedicina passou a desempenhar papel importante no suporte clínico aos pacientes, com milhares de prescrições de medicamentos, solicitações de exames laboratoriais e exames de imagem emitidos remotamente ao longo desse período. O serviço também alcançou a área pediátrica em algumas unidades do DF, ampliando o acolhimento às crianças e trazendo mais tranquilidade para famílias que buscam atendimento rápido nas UPAs.
De acordo com a gerente de Regulação em Saúde do IgesDF, Lilian dos Santos, a iniciativa trouxe melhorias significativas no fluxo de atendimento e na organização das unidades.
Segundo ela, a redução do tempo de espera dos pacientes classificados como verdes permitiu maior fluidez dentro das UPAs e melhor aproveitamento das equipes médicas presenciais.
Para além da tecnologia, a experiência também reforçou aspectos considerados essenciais no atendimento humanizado. Lilian destaca que o modelo remoto possibilita mais atenção individualizada aos pacientes, ampliando o acolhimento e a escuta qualificada durante as consultas.
A chefe do Núcleo de Telessaúde do IgesDF, Amandha Roberta Fernandes, afirma que a teleconsulta consolidou um novo formato de assistência dentro da rede pública do DF, unindo inovação, rapidez e acessibilidade no atendimento.
Na avaliação das unidades que já utilizam o sistema, os resultados também têm sido positivos. O gerente da UPA de Vicente Pires, Jackson Alves, afirma que a ferramenta trouxe mais agilidade para as condutas médicas e ampliou a capacidade de resposta da unidade diante da alta demanda.
Já na UPA do Recanto das Emas, onde o serviço é voltado exclusivamente para atendimentos pediátricos, a gerente Idê Ingrid Rodrigues relata que o modelo ajudou a otimizar o acolhimento, principalmente em períodos de maior movimento, fortalecendo a confiança da população no atendimento remoto.
Entre os principais motivos de atendimento registrados atualmente estão casos de gastroenterite, síndromes respiratórias e sintomas gerais, situações comuns nas unidades de pronto atendimento e que exigem respostas rápidas para evitar agravamentos.
O IgesDF também já estuda ampliar a estrutura tecnológica da teleconsulta, com a aquisição de equipamentos digitais que permitam avaliações clínicas mais completas durante os atendimentos remotos, além do reforço das equipes médicas do Núcleo de Telessaúde.
Para a presidente do instituto, Eliane Abreu, a teleconsulta representa um avanço importante na modernização da saúde pública do Distrito Federal, sem deixar de lado o atendimento humanizado e o cuidado com os pacientes.
Com informações do IgesDF


















