
Quase R$ 40 mil foram destinados à construção de uma nova imagem nas redes sociais. Mas, para muitos eleitores, o verdadeiro desafio de José Roberto Arruda não será conquistar curtidas ou ampliar o alcance digital, e sim convencer a população de que um passado marcado por condenações ficou para trás. Marketing pode impulsionar uma pré-campanha; recuperar a confiança pública é uma tarefa muito mais complexa.
Levantamento da Biblioteca de Anúncios da Meta mostra que, entre os dias 27 de abril e 25 de julho de 2026, páginas ligadas ao ex-governador investiram aproximadamente R$ 38,5 mil em anúncios no Facebook e no Instagram. O valor coloca Arruda na liderança dos gastos entre os principais pré-candidatos ao Governo do Distrito Federal, em um momento em que sua situação eleitoral ainda depende do desfecho de questões judiciais.
A escolha por investir pesado em publicidade chama atenção justamente pelo contexto. Enquanto ainda busca viabilizar seu retorno ao cenário eleitoral, Arruda acelera a exposição de sua imagem nas redes sociais, apostando que o alcance digital poderá falar mais alto do que as lembranças deixadas por um dos episódios mais marcantes da política do Distrito Federal.
Os números revelam que Arruda lidera com folga os investimentos em publicidade digital. Na sequência aparecem Kiko Caputo, com aproximadamente R$ 34,4 mil, Ricardo Cappelli, com cerca de R$ 32,9 mil, e Leandro Grass, com aproximadamente R$ 16 mil. Juntos, os quatro pré-candidatos somaram cerca de R$ 121,8 mil em anúncios em apenas três meses.
Mas nem toda estratégia de divulgação encontrou respaldo na Justiça. Enquanto ampliava sua presença nas redes sociais, Arruda sofreu um revés no Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF). Em decisão liminar, o juiz Carlos Alberto Martins Filho determinou a retirada, no prazo de 24 horas, dos outdoors utilizados pelo ex-governador e pelo ex-deputado federal Ronaldo Fonseca para divulgar a convenção do PSD.
Segundo a decisão, as peças possuíam conteúdo político-eleitoral veiculado por meio de propaganda vedada pela legislação. Além da retirada imediata, o magistrado proibiu novas divulgações em outdoors ou engenhos com efeito visual equivalente, fixando multa diária de R$ 5 mil, limitada a R$ 50 mil, em caso de descumprimento.
A representação foi apresentada pela Federação União Progressista, da qual faz parte a governadora Celina Leão (PP). A decisão reforça que a disputa política começa cada vez mais cedo, mas também deixa claro que a pré-campanha possui regras e limites que precisam ser respeitados por todos os pré-candidatos.
Os investimentos milionários em marketing político costumam buscar um único objetivo: moldar a percepção do eleitor. No entanto, nenhuma campanha publicitária é capaz de apagar fatos que fazem parte da história política. A imagem pode até ser trabalhada, mas a memória do eleitor continua sendo um dos maiores desafios de quem pretende voltar ao poder.
No caso de Arruda, a tentativa de reconstrução política acontece sob o peso de um histórico amplamente conhecido pelos brasilienses. A publicidade pode comprar alcance, impulsionar publicações e ampliar visibilidade, mas dificilmente conseguirá apagar as condenações e os processos que marcaram sua trajetória pública.
Ao fim, caberá ao eleitor decidir se quase R$ 40 mil investidos em anúncios representam um projeto para o futuro ou apenas mais uma tentativa de reescrever o passado. Afinal, marketing pode fortalecer uma imagem, mas confiança pública não se conquista apenas com publicidade.


















