Avanço dos números em todo o país amplia debate sobre vulnerabilidade social, saúde mental, dependência química e segurança pública

Os recentes episódios envolvendo pessoas em situação de rua no Distrito Federal trouxeram novamente o assunto para o centro do debate, mas os dados mostram que o crescimento dessa população está longe de ser um fenômeno isolado de Brasília. O CadÚnico registrava 198,7 mil pessoas nessa condição no Brasil em dezembro de 2022; em junho de 2026, eram cerca de 392,4 mil — uma alta próxima de 100% em pouco mais de três anos.
O aumento, porém, não possui uma única explicação. Desemprego e perda de renda, dificuldade de acesso à moradia, rompimento de vínculos familiares, dependência de álcool e outras drogas e problemas de saúde mental estão entre os fatores associados à permanência nas ruas. A ampliação da busca ativa e do cadastramento pelo poder público também pode fazer com que pessoas antes fora das estatísticas passem a aparecer no CadÚnico.
O crescimento ocorre apesar das políticas públicas voltadas a essa população, incluindo ações federais de assistência, saúde e moradia. A forte alta dos registros, porém, mantém o debate sobre a efetividade das medidas adotadas e a necessidade de respostas capazes de reduzir a permanência de pessoas nas ruas.
No Distrito Federal, onde episódios recentes de violência aumentaram a preocupação da população, o GDF tem adotado medidas que envolvem assistência social, saúde e segurança. Em julho, entrou em vigor a Política Distrital de Acolhimento Humanizado e Atenção Integral à População em Situação de Rua, com ações voltadas ao acolhimento, acesso à saúde, moradia, reconstrução de vínculos familiares e reinserção social.
A nova legislação também admite, em situações excepcionais de risco iminente à própria vida ou à de terceiros e mediante avaliação médica, a internação involuntária como medida terapêutica de última instância. Paralelamente, o DF estabeleceu diretrizes para integrar segurança pública, assistência social e saúde no atendimento às ocorrências envolvendo essa população.
O desafio agora é conciliar proteção social, tratamento e reinserção com a segurança de quem vive e circula pela cidade. Os acontecimentos recentes colocaram Brasília em evidência, mas os números nacionais mostram que o crescimento da população em situação de rua é um problema que ultrapassa os limites da capital e exige respostas efetivas do poder público.


















