
O que era para ser um dia de celebração em família se transformou em uma tragédia irreparável. No dia 11 de maio de 2025, Dia das Mães, um grave acidente na Estrada de Ajuruteua, em Bragança, no Pará, mudou para sempre a vida de uma família.
Pedro Henrique Rodilha dos Santos, de apenas 14 anos, estava no carro com seus familiares quando o veículo foi violentamente atingido por outro automóvel. Segundo as investigações, o motorista Maycon Douglas Gomes Teixeira trafegava em alta velocidade, invadiu a contramão e apresentava sinais de embriaguez no momento do acidente.

A gravidade da colisão foi imediata.
Pedro sofreu traumatismo craniano grave e perdeu a consciência ainda no local. A partir daquele momento, começou uma luta intensa pela vida.
O adolescente permaneceu internado em estado crítico, em coma, por cerca de 50 dias. Durante esse período, a família viveu dias de angústia, fé e esperança por um milagre.
Mas, no dia 1º de julho de 2025, Pedro não resistiu.
A dor da perda é imensurável — e ganha ainda mais peso quando se conhece quem ele era.
Pedro Henrique era descrito pela família como um menino extremamente inteligente, alegre e cheio de sonhos. Dedicado aos estudos, foi medalhista em competições importantes como a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) e a Olimpíada Canguru, sendo frequentemente reconhecido como aluno destaque.

Mais do que isso, era um jovem que gostava de ajudar as pessoas, tinha um coração generoso e um futuro promissor pela frente.
Uma vida interrompida de forma brutal.
O acidente não atingiu apenas Pedro. Seu pai, Jânio Venâncio dos Santos, que também estava no veículo, sobreviveu, mas sofreu múltiplas fraturas e carrega sequelas permanentes. Outros familiares também enfrentam até hoje traumas físicos e emocionais.
Além da dor, a família passou a enfrentar a indignação.
De acordo com documentos e relatos, o motorista apresentava sinais visíveis de embriaguez no momento do acidente, fato constatado por agentes do Demutran com base em sua aparência e comportamento no local. Apesar disso, ele se recusou a realizar o teste do bafômetro — informação que consta formalmente no inquérito policial.
Inicialmente, o caso foi registrado como lesão corporal culposa, quando não há intenção de causar o resultado.
No entanto, diante da gravidade dos fatos e das circunstâncias do acidente, houve uma reavaliação jurídica. A própria comarca de Bragança solicitou ao Ministério Público o aditamento da denúncia, com a mudança da tipificação penal.
O pedido foi analisado e aceito.
Com isso, o caso passou a ser tratado como homicídio doloso qualificado — quando se entende que o autor assumiu o risco de provocar a morte.
Atualmente, Maycon Douglas Gomes Teixeira figura como réu nesse novo enquadramento.
Mesmo com a gravidade do caso, o motorista chegou a ser preso em flagrante no dia do acidente, mas permaneceu detido por menos de 24 horas. Após audiência de custódia, ele foi liberado mediante pagamento de fiança no valor de cinco salários mínimos e, desde então, responde ao processo em liberdade.
O caso tramita na Vara Criminal da Comarca de Bragança, no Pará.
Diante de tudo isso, a família segue firme em meio à dor, mas também com um propósito claro.
Neste momento, o que os familiares de Pedro Henrique buscam é justiça. Eles pedem que o caso tenha andamento até o julgamento, que o responsável seja levado a júri popular e que haja uma punição compatível com a gravidade do que aconteceu.
A campanha #JustiçaPorPedro tem mobilizado pessoas nas redes sociais, ampliando a visibilidade do caso e reforçando o clamor para que a história não seja esquecida.
https://www.instagram.com/justicaporpedrorodilha
Para a família, mais do que uma resposta judicial, trata-se de honrar a memória de um menino bom, inteligente, cheio de sonhos — e garantir que sua história não termine em silêncio.
Jornalista: Cida Frausino


















